A inteligência artificial está evoluindo de uma ferramenta voltada à produtividade para um componente estratégico da operação das empresas. Com o avanço dos agentes inteligentes, as organizações passam a buscar modelos em que sistemas, processos e dados atuam de forma integrada para automatizar atividades, apoiar decisões e aumentar a eficiência operacional.
Esse conceito, conhecido como Empresa Autônoma (Autonomous Enterprise), vem ganhando espaço ao combinar inteligência artificial, automação e plataformas de gestão empresarial em uma arquitetura capaz de responder a eventos e demandas de negócio em tempo real.
Da experimentação à operação
O avanço da IA faz com que o desafio das empresas deixe de ser apenas implementar projetos piloto. O foco agora está em transformar essas iniciativas em operações escaláveis, capazes de gerar ganhos consistentes.
Segundo dados da Gartner citados na análise, mais de 80% das organizações devem utilizar aplicações ou APIs de inteligência artificial generativa. O próximo passo será integrar essas tecnologias aos processos centrais do negócio.
Para Marcelo Moreira, ERP Service Line Director da EPI-USE Brasil, a maturidade das empresas ainda representa um obstáculo importante.
“Embora já possamos perceber o avanço da adoção da inteligência artificial, a maturidade das empresas ainda é limitada. Estudos indicam que apenas cerca de 30% a 35% das organizações conseguiram escalar iniciativas de IA para a operação em larga escala. A maioria ainda está na fase de pilotos ou projetos isolados, buscando transformar investimentos em ganhos consistentes de eficiência operacional. Entre nossos clientes SAP de ERP, cerca de 80% já avaliam casos de uso de IA para ganho operacional, enquanto apenas 20% possuem uma arquitetura de dados considerada preparada para uma operação autônoma”, explica.
Dados e integração sustentam a autonomia
A evolução da inteligência artificial exige uma infraestrutura capaz de conectar informações de diferentes áreas da empresa.
Sistemas isolados, bases de dados fragmentadas e processos desconectados dificultam o funcionamento de agentes inteligentes, que dependem de informações consistentes para executar tarefas e apoiar decisões.
“Nos últimos anos, a discussão esteve concentrada na adoção da inteligência artificial e em seus ganhos de produtividade. Agora, ela passa a fazer parte da operação das empresas. Isso exige uma base sólida de informações, processos integrados e governança.”
Nesse cenário, a qualidade dos dados passa a ser tão importante quanto a própria tecnologia utilizada.
“A autonomia operacional depende de dados confiáveis e plataformas conectadas. Antes de ampliar o uso da inteligência artificial, é preciso garantir que a empresa tenha uma estrutura preparada para sustentar esse novo modelo.”
ERP assume papel estratégico
Os sistemas de gestão empresarial tornam-se ainda mais relevantes à medida que concentram os dados utilizados pelos agentes inteligentes.
Mais do que registrar operações administrativas, os ERPs passam a fornecer o contexto necessário para que a inteligência artificial execute processos com segurança e consistência.
“O ERP deixa de ser apenas um sistema de gestão para se tornar a base sobre a qual a inteligência artificial opera. Quanto maior a integração entre dados e processos, maior será a capacidade da empresa de utilizar IA com segurança, escala e consistência”, explica Moreira.
Essa integração favorece automações mais complexas, amplia a confiabilidade das análises e reduz inconsistências entre diferentes áreas da organização.
Novas competências também serão necessárias
A transformação não depende apenas da infraestrutura tecnológica.
À medida que agentes inteligentes passam a participar das operações, gestores precisarão desenvolver competências para interpretar recomendações, supervisionar processos automatizados e incorporar a IA às decisões estratégicas.
Esse movimento amplia a necessidade de capacitação e fortalece o papel da governança na definição de responsabilidades, critérios de uso e acompanhamento dos resultados.
IA passa a integrar o núcleo da operação
Setores como indústria, agronegócio, energia, varejo e serviços financeiros já começam a incorporar agentes inteligentes em processos considerados estratégicos.
O avanço mostra que a inteligência artificial deixa de ocupar uma posição complementar para integrar o núcleo das operações empresariais.
“Até pouco tempo, a principal pergunta era como começar a utilizar inteligência artificial. Agora, o desafio é preparar a organização para que essa tecnologia faça parte da operação de forma consistente, segura e alinhada aos objetivos do negócio”, conclui o executivo.
A evolução para empresas mais autônomas depende de uma combinação entre tecnologia, dados confiáveis, processos integrados e pessoas preparadas para utilizar a inteligência artificial como parte da rotina operacional.
fonte: portal erp
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