Quando me mudei para São Paulo, em 2006, o que me guiava por essa cidade, era um GPS Garmin. Os mapas eram rudimentares perto dos aplicativos que carregamos hoje no bolso, mas havia ali um princípio que permanece intacto quase vinte anos depois: o aparelho mostrava a rota, e era eu quem decidia seguir por um caminho ou por outro. A tecnologia indicava. A escolha continuava minha.
Estou há 30 anos trabalhando com tecnologia. Comecei em treinamento e suporte, atravessei análise, arquitetura e pré-vendas, cheguei à liderança. Por muito tempo integrei sistemas, o que me deu intimidade com o núcleo das empresas, suas estruturas de dados e os processos de indústrias muito diferentes entre si. Nos últimos anos passei a desenhar soluções e a cuidar da adoção de novas tecnologias. Em paralelo, sou instrutora de yoga. Vivo, portanto, em dois territórios que muita gente teima em separar: o da máquina e o do comportamento humano. É exatamente desse encontro que quero tratar aqui.
Há décadas usamos inteligência artificial para automatizar processos. O movimento atual, mais veloz e mais delicado, é outro: começamos a automatizar decisões.
Vale olhar para trás para medir a distância percorrida. Os ERPs de uma geração atrás registravam operações e reagiam ao comando de um usuário. Os dashboards mostravam, na melhor das hipóteses, o que tinha acontecido no dia anterior. Dado em tempo real era promessa de catálogo. Hoje, esses mesmos sistemas, conectados a sensores de IoT e a outras fontes, recalculam a rota de uma entrega conforme o trânsito, redirecionam para o centro de distribuição mais próximo e levam em conta sinais do próprio motorista, como sono ou pressão arterial. Tudo isso sem nenhuma ação humana, porque há serviços de IA na arquitetura.
A pergunta que fica é simples de formular e difícil de responder: onde mora o discernimento humano nessa equação? Caminhamos para líderes mais conscientes ou cada vez mais automatizados?
Os números ajudam a dimensionar o momento. Segundo projeção do Gartner divulgada pela Exame, o investimento global em inteligência artificial deve alcançar cerca de US$ 2,59 trilhões em 2026. E, ainda assim, o uso da tecnologia segue tímido dentro das organizações. A pesquisa Hopes and Fears, da PwC, ouviu quase 50 mil pessoas de 28 setores em 48 economias. No Brasil, 70% dos entrevistados usaram IA nos últimos doze meses e perto de 30% dos profissionais já recorrem a ferramentas de IA generativa, percentual superior ao de muitos outros países. Onde há uma lacuna entre o que se investe e o que de fato se usa, há oportunidade.
Há, porém, um outro dado da PwC que merece atenção. Entre 4.454 executivos ouvidos, 55% afirmaram não ter visto benefícios concretos no uso de IA. As razões mais citadas não eram técnicas: falta de preparo organizacional, cultura, estratégia e alinhamento humano. A tecnologia estava disponível. O que faltava era gente pronta para conduzi-la.
Chego ao ponto que considero central. Automatizar decisões exige que quem treinou a máquina entenda os porquês daquela decisão, e esses porquês precisam estar ancorados em valores culturais, morais e nos princípios da própria empresa. É como cozinhar: você precisa saber fazer o bolo antes de delegar a tarefa, porque só assim será capaz de avaliar o resultado que recebe de volta.
Entregue dados, documentos e referências a um sistema de IA e ele devolverá, graças à enorme capacidade de processamento, análises rápidas, organização lógica da informação e projeção de cenários. Mas o discernimento, a sensibilidade, a leitura emocional de uma sala (e não falo de análise de sentimento sobre palavras digitadas), a ética e a intuição estratégica seguem sendo atributos humanos. Empresas podem operar com inteligência artificial. Continuam dependendo de maturidade humana para decidir para onde vão. Um líder precisa de inteligência emocional para aplicar a inteligência artificial.
Consigo enxergar com clareza o risco do líder automatizado. Teremos dashboards impecáveis, com dados em tempo real e leituras de curto, médio e longo prazo. Tarefas que consumiam horas serão resolvidas em minutos. Modelos de previsão de churn ajudarão a evitar contratações equivocadas. E então? Onde fica a profundidade do pensamento crítico? Onde está a escuta individual que só nasce de uma presença real? Um líder que se comporta como um apurador de números, sem acolhimento, consegue formar um time que se sente parte da empresa?
Faço uma aposta. Assim como o pau-brasil, o açúcar e o café tiveram seus ápices e depois viraram commodities, a tecnologia, a IA e a automação caminham para o mesmo lugar. Quando isso acontecer, o que vai distinguir uma boa liderança não será o acesso à ferramenta, e sim a qualidade humana, a inteligência emocional e relacional de quem lidera. Pessoas têm histórias, culturas e repertórios próprios. É ilusão imaginar que uma única linguagem, falada, escrita ou gestual, conduza um grupo diverso a um objetivo comum. E essa diversidade não é um problema a resolver. É o que constrói uma visão mais sistêmica.
Os exemplos existem. A Microsoft, sob Satya Nadella, reconstruiu a própria cultura em torno de escuta, suporte emocional e adaptação consciente, princípio que a empresa resume na ideia de “staying human”. A NVIDIA, que opera no centro da revolução da IA, figura entre as companhias de tecnologia com maior satisfação de seus colaboradores. E um estudo da Deloitte publicado em março de 2026, com 100 líderes de alto escalão, mostrou que a maioria das organizações, 59%, adota uma abordagem centrada na tecnologia ao lidar com IA. Essas mesmas organizações têm 1,6 vez mais probabilidade de não obter o retorno esperado sobre o investimento, quando comparadas às que colocam o ser humano no centro.
Tenho minha própria evidência, anterior a qualquer pesquisa. Já trabalhei com gestores atentos ao meu crescimento, e era impossível não me sentir bem na empresa. Também trabalhei com quem me enxergava como um número. Rendi muito mais sob a liderança que colocava o humano no centro. Não é teoria. É memória.
É essa convicção que me move. Uma venda consultiva sempre supera a oferta de um produto ou serviço isolado, porque começa pelo entendimento de quem está do outro lado: quem é a pessoa, como se constrói rapport, que linguagem faz sentido. A solução vem depois. Quando se entende o negócio do cliente e as aspirações de quem pede ajuda, a tecnologia passa a servir a um propósito, e não a existir como um fim em si.
Acredito que o avanço da tecnologia exige uma expansão ainda mais acelerada da consciência humana. Por isso encerro com a reflexão que me acompanha: talvez o maior desafio não seja construir máquinas mais rápidas e inteligentes, e sim formar pessoas conscientes o bastante para utilizá-las.
A visão de Éric Machado, CEO da Revna Tecnologia
A reflexão da Cátia traz uma pergunta que todo líder deveria se fazer agora: estamos usando a inteligência artificial para ampliar nossa consciência ou para terceirizar nossas decisões?
Eu acredito muito em tecnologia. Foi dentro dela que construí minha carreira. Mas, depois de tantos anos em projetos de ERP, supply chain, transformação digital e liderança de times, aprendi uma coisa simples: nenhum sistema resolve sozinho aquilo que uma liderança imatura não consegue sustentar.
A IA vai nos entregar velocidade, escala, previsões melhores e caminhos que talvez não enxergaríamos sozinhos. Isso é extraordinário. Mas ela não substitui presença. Não substitui escuta. Não substitui caráter. Não substitui a responsabilidade de olhar para uma pessoa, para um cliente, para um time ou para uma decisão difícil e assumir as consequências.
O risco do líder automatizado é achar que, porque tem mais dados, tem mais sabedoria. Nem sempre. Dado mostra cenário. Consciência dá direção. E liderança, para mim, sempre foi isso: influenciar pessoas com responsabilidade, formar outros líderes e colocar coração, mente, espírito, criatividade e excelência a serviço de um propósito.
Na Revna, nós usamos tecnologia para simplificar um mundo complexo. Conectamos empresas aos melhores consultores e soluções porque acreditamos que a tecnologia deve ser ferramenta de evolução das pessoas, das empresas e da sociedade. Mas essa evolução só acontece quando existe gente preparada conduzindo o processo.
O futuro não será de quem apenas adotar IA mais rápido. Será de quem souber usá-la com critério, coragem e humanidade.
Que a inteligência artificial nos ajude a decidir melhor. Mas que a decisão continue sendo de líderes conscientes.
Sobre a Revna
Nós conectamos sua empresa aos melhores consultores do mercado. Reinventamos o cenário de consultoria no Brasil, democratizando o acesso a serviços de consultoria de elite. Estamos transformando a forma de selecionar e reconhecer os melhores talentos por meio da meritocracia!
Apaixonados por tecnologia, representamos os melhores consultores em soluções como AWS, Google, Oracle, IBM, Azure, SAP, e TOTVS, oferecemos serviços e licenciamento de softwares. A Revna enfatiza o compromisso da empresa com a meritocracia corporativa, oferecendo incentivos com base em resultados e oportunidades de crescimento para os profissionais mais destacados. Além disso, a empresa mantém-se atenta ao mercado, incentivando sua equipe a informá-la sobre ofertas de trabalho mais vantajosas, garantindo assim uma remuneração competitiva. A Revna também se destaca por sua flexibilidade de atuação, seja remota ou presencial, em diferentes modalidades de trabalho. Além disso, a empresa investe no desenvolvimento de seus consultores, oferecendo acesso a plataformas de treinamento e certificação de grandes empresas de tecnologia. O compromisso da Revna vai além do desempenho técnico, pois valoriza a formação de grandes líderes e busca criar uma mudança na forma como as consultorias reconhecem e retêm talentos no Brasil. Com uma cultura de confiança, responsabilidade e compartilhamento de oportunidades, a Revna desafia o status quo e se destaca como uma consultoria líder no reconhecimento e no apoio ao crescimento de seus talentos!
Descubra como a Revna Tecnologia está revolucionando a forma de selecionar e reconhecer os melhores talentos do mercado para atender às necessidades dos seus clientes. Conheça nossa fórmula de sucesso e descubra como a Be Revna pode transformar o futuro da sua empresa.
Candidate-se agora!
Dê o próximo passo em sua carreira tornando-se um consultor homologado e descubra o comprometimento da Revna na atração e retenção dos melhores consultores do mercado. Na Revna você tem a liberdade de escolher de onde trabalha e em quais horários você tem disponibilidade. Aceite o desafio de se destacar e aproveite a oportunidade de conquistar uma remuneração variável, que reflete o seu sucesso. Junte-se a nós na Revna e faça parte de uma jornada transformadora!
Programa de homologação de consultores, válido em todos os continentes, especialmente América do Sul, América do Norte e Europa.
Comande a sua jornada. Acesse “BE REVNA“, a única plataforma do mercado que conecta você às melhores oportunidades.
Leia também:
– A nova consultoria começa pela escolha dos melhores
– O que realmente faz projetos de tecnologia custarem 3x mais e ninguém fala sobre isso
– Seu EBS não morreu. Ele pode renascer com inteligência artificial
– Jogando milhões na lata do lixo: o erro que derruba C-levels
– Sua Liderança Está Matando Sua Inovação
– Revna Tecnologia celebra três anos de crescimento exponencial e quebra de paradigmas
– Profissionais acima dos 40 anos estão mais preparados para liderar na era da Inteligência Artificial
– Mentiram para você sobre o futuro do ERP
– O Mercado Quer Silêncio. A Gente Vai Gritar.
– Revna Promove o Livre Mercado de Consultores no Brasil
– O EBS está morto? Qual o futuro do Oracle E-Business Suite (EBS)?
– Até Aqui Juntos, Daqui Pra Frente Só Com Quem Acompanha
– Revna Muda as Regras do Jogo do Mercado de Consultoria no Brasil
– Grupo Nós Transforma sua Operação Logística com a Expertise da Revna em WMS e OIC
– Indústria 4.0 conecta Supply Chain e transforma cadeias produtivas em ecossistemas inteligentes
– Você produz bem. Mas alguém está entregando melhor.
Acesse as verticais Revna a seguir, para obter mais detalhes:
Serviços: Implementação / Fábrica de Software / Move to Cloud / Data Science / Hunting / Outsourcing / Treinamento
Soluções: Procurement / Manufacturing / Supply Chain / Business Analytics / ERP Oracle / ERP SAP / ERP Totvs / WMS / Inteligência Artificial / IoT