IBM aposta em IA com governança e nuvem híbrida

A adoção de inteligência artificial nas empresas entrou em uma nova fase. Depois do entusiasmo inicial, marcado por pilotos acelerados e grandes expectativas, muitas organizações passaram a enfrentar um desafio mais concreto: transformar IA em produtividade, escala e retorno mensurável.

Esse foi um dos principais pontos abordados por Arvind Krishna, presidente e CEO global da IBM, durante uma rodada de conversa com parceiros e imprensa na conferência anual Think, realizada em Boston. O executivo apresentou a visão da companhia para o futuro da IA empresarial, com foco em governança, agentes inteligentes, nuvem híbrida e independência operacional.

“As empresas que estão saindo na frente não estão apenas implementando mais IA, elas estão redesenhando a forma como seus negócios operam”, afirmou Arvind Krishna, Presidente e CEO da IBM, no evento.

A IBM anunciou novidades como a nova geração do IBM watsonx Orchestrate, voltada à orquestração de múltiplos agentes de IA, e o IBM Sovereign Core, plataforma criada para ajudar empresas a lidar com exigências regulatórias, soberania de dados e independência tecnológica.

Segundo Krishna, até 2030, empresas que conseguirem aplicar IA de forma eficiente poderão alcançar ganhos de produtividade empresarial de até 40%. O problema é que mais de 70% dos dados ainda estão dentro das empresas, em sistemas que sustentam o coração do negócio. Por isso, a estratégia não pode depender apenas de modelos externos ou soluções isoladas.

“As estatísticas são claras: até 2030, as empresas que estiverem performando bem alcançarão 40% de produtividade empresarial utilizando IA. Mas é preciso agir onde os dados estão, e mais de 70% de todos os dados ainda residem dentro das empresas, em sistemas que são o coração do negócio. Por isso, precisamos unir o que fazemos lá com a nuvem híbrida. Grande parte das nossas novidades gira em torno deles”, acrescenta o CEO.

Um dos temas centrais é o avanço dos agentes de IA. Essas aplicações são capazes de executar tarefas, adaptar fluxos e interagir com sistemas corporativos. Mas, à medida que empresas passam a lidar com milhares de agentes, cresce também a necessidade de mantê-los governados, auditáveis e seguros em tempo quase real.

O objetivo da IBM com a nova geração do watsonx Orchestrate é oferecer uma espécie de plano de controle para esse ambiente. A proposta é permitir que organizações implementem agentes de forma integrada, conectando múltiplas fontes de dados e diferentes provedores, sem abrir mão de segurança e consistência operacional.

Krishna também reforçou que a IBM não pretende competir diretamente na corrida de infraestrutura, mas sim atuar como integradora e orquestradora em um ambiente multimodelo.

“Decidimos explicitamente não entrar nessa competição de infraestrutura; por enquanto, a vantagem é que há tantas pessoas competindo por mercado que nos sentimos confortáveis em obter o que precisamos de diversas fontes”

A visão da IBM é utilizar diferentes modelos conforme o caso de uso. Isso inclui modelos grandes, quando a tarefa exige maior capacidade de raciocínio, modelos menores que rodam em uma única GPU, além de alternativas de código aberto ou open weights ajustáveis às necessidades das empresas.

Outro anúncio relevante foi o IBM Bob, descrito como um parceiro de desenvolvimento agêntico para apoiar desenvolvedores na criação de agentes com controles de segurança e custos integrados. Segundo Krishna, o projeto começou internamente há cerca de um ano e já conta com mais de 80 mil usuários dentro da IBM, com ganhos reportados de 45% em produtividade.

“Só para dar uma ideia sobre o Bob: começamos esse projeto há um ano. Hoje temos mais de 80.000 usuários internos na IBM reportando 45% de produtividade. Decidimos lançar para o mercado e a aceitação tem sido dramática. Os clientes veem o valor do que eu chamaria de orquestração e otimização multimodelos: você obtém os benefícios dos melhores modelos sem ter que pagar sempre o preço mais alto pela performance necessária. Achamos um nicho interessante no mundo da IA para código”, afirma o CEO.

A IBM também aposta no Sovereign Core como resposta à complexidade regulatória global. A plataforma reúne softwares e serviços da própria IBM e de parceiros como AMD, Intel e Palo Alto Networks, permitindo que empresas escolham componentes conforme suas necessidades e exigências locais.

A proposta é especialmente relevante para organizações que operam em múltiplos países ou setores regulados. Com regras distintas sobre dados, infraestrutura e tecnologia, a capacidade de adaptar ambientes sem reconstruir toda a base tecnológica pode se tornar um diferencial competitivo.

“Estamos em fase de prévia há cerca de dois meses e já temos alguns early adopters. A Cegeka, assim como a HCL, são empresas que precisam implementar tecnologia de forma totalmente desconectada, em um ambiente isolado de quaisquer fronteiras internacionais. Estamos tornando o Sovereign Core disponível para o mercado geral agora; o caso de uso inicial será focado em IA. É um caminho rápido para qualquer empresa ou governo ter acesso à tecnologia de IA e poder computacional em seu próprio data center”, afirma Krishna.

Além da IA empresarial, a IBM também destacou avanços em computação quântica. A companhia citou pesquisas realizadas com a Cleveland Clinic e o RIKEN para simular complexos proteicos com até 12.635 átomos, em uma das maiores simulações já realizadas com hardware quântico.

Apesar do avanço, Krishna avalia que a computação quântica ainda não deve ser vista como oportunidade comercial imediata em larga escala.

“Eu ainda não apontaria o quântico como uma grande oportunidade comercial imediata. Trata-se de preparar os clientes para que, em dois ou três anos, eles possam começar a implementar quando estiverem prontos, com sistemas muito maiores e mais capacitados do que os de hoje”

Para o executivo, os primeiros resultados mais concretos podem surgir na indústria farmacêutica entre 2028 e 2029, especialmente em áreas ligadas ao estudo de moléculas e proteínas. A promessa é acelerar descobertas científicas que hoje exigem prazos longos e investimentos elevados.

No campo geopolítico, Krishna também abordou os riscos associados à automação de IA e ao uso de tecnologias em contextos sensíveis. Ele afirmou que a IBM não é fornecedora direta de armas, mas fornece infraestrutura e tecnologias essenciais para diferentes empresas.

“Não trabalhamos com essas tecnologias, no entanto, fornecemos infraestrutura e tecnologias essenciais. Um ótimo exemplo é o Linux. Alguém poderia usar um sistema operacional para o que a pergunta sugere? Talvez. Mas trabalhar de forma aberta e transparente para tornar o Linux mais seguro para todos é um benefício geral. Eu adoraria que não houvesse geopolítica e que pudéssemos vender e implementar nossa tecnologia em cada país, mas essas regras estão fora do nosso controle. Sempre fomos fortes defensores do comércio global em toda a história da IBM“, finaliza o CEO.

A mensagem central da IBM é que a próxima etapa da inteligência artificial será menos sobre experimentação isolada e mais sobre operação em escala. Empresas que conseguirem unir IA, dados internos, nuvem híbrida, governança e modelos adequados para cada caso de uso estarão melhor posicionadas para capturar valor real.

O futuro da IA empresarial, portanto, não será definido apenas por quem adota a tecnologia mais rapidamente. Será definido por quem consegue integrá-la com segurança, controle, estratégia e capacidade de execução.

fonte: forbes brasil

Acesse as verticais Revna a seguir, para obter mais detalhes:

Serviços: Move to Cloud / Data Science

Soluções: Inteligência Artificial / Infra & Tech

Veja mais notícias

Notícias selecionadas

Quer transformar sua gestão de TI?

Acesse o Be Revna e descubra como nosso sistema pode revolucionar sua operação e impulsionar seus resultados.

Faça uma Pesquisa

Olá! Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Olá, eu sou a Sunstone Assist. Vamos
encontrar o que sua empresa precisa?