A gigante Oracle está direcionando dezenas de bilhões de dólares para erguer alguns dos maiores data centers do mundo, em um movimento que reforça sua aposta no mercado de nuvem voltado à inteligência artificial. O acordo com a OpenAI foi anunciado na Casa Branca em janeiro, em um evento com o então presidente Donald Trump, e marca o maior investimento da Oracle em infraestrutura de IA até agora.
O contrato prevê mais de 5 gigawatts de capacidade de computação, volume suficiente para abastecer milhões de lares, com a previsão de que parte dessas instalações já esteja online em 2026 e a conclusão completa ocorra no início de 2027, segundo a Bloomberg.
Uma das principais unidades está em construção no Condado de Shackleford, Texas, projetada para operar inteiramente com geradores a gás devido à incapacidade da rede local de fornecer energia suficiente. O projeto, conduzido pela Vantage Data Centers (do grupo DigitalBridge), terá 1,4 gigawatts de capacidade e deverá figurar entre os maiores centros de dados do planeta. Essas instalações foram desenhadas para suportar modelos avançados de IA, que demandam milhares de GPUs Nvidia, resfriamento robusto e fornecimento ininterrupto de energia.
Mudança de rota após resistência à nuvem
A aposta da Oracle na nuvem vem após anos de debates internos. Em 2008, Larry Ellison, cofundador e presidente da companhia, descreveu a computação em nuvem como “um completo disparate”. Por muito tempo, a Oracle manteve foco em seu modelo tradicional de licenciamento de banco de dados on-premise.
No entanto, a ascensão de concorrentes como Amazon e Salesforce obrigou a empresa a revisar sua estratégia. Após tentativas frustradas nos anos 2010, o modelo “bare metal”, em que clientes não compartilham servidores, ganhou força e se consolidou na Oracle Cloud Infrastructure (OCI). Esse desenho conquistou empresas em países menos explorados por grandes players e atraiu clientes preocupados com isolamento e segurança.
A decisão também encontrou resistência interna. Safra Catz, CEO da Oracle, temia os altos custos e margens estreitas da nuvem. O cenário mudou em 2020, quando o TikTok buscava um parceiro para hospedar seus dados nos EUA. A Oracle foi escolhida, consolidando sua posição como opção segura e politicamente aceitável.
Liderança de Clay Magouyrk e a corrida pela IA
Hoje, a divisão de nuvem é comandada por Clay Magouyrk, conhecido por sua postura agressiva e foco em resultados. Ex-Amazon, ele transferiu parte das operações para Seattle e implementou práticas semelhantes às da rival, como altas remunerações e avaliações de desempenho rigorosas. Atualmente, mais de 23 mil funcionários respondem a ele.
Magouyrk, promovido em junho de 2025, é visto como possível sucessor de Ellison, hoje com 81 anos. Em entrevista ao podcast Modern CTO, comentou: “Às vezes, você olha para trás e diz: não tenho certeza se eu era totalmente qualificado em cada etapa do caminho. Mas parece ter dado certo até agora.”
A expansão agressiva da Oracle inclui contratações de centenas de engenheiros vindos da Amazon, atraídos por sua política mais flexível de trabalho híbrido ou remoto. Entre os grandes clientes da Oracle estão Nvidia, Zoom e Uber. A Nvidia, em especial, aluga capacidade de clusters de GPU da Oracle no Japão e em Batam, na Indonésia, para projetos próprios. Há ainda negociações em andamento com Meta e xAI, de Elon Musk.
Com esse movimento, a Oracle não apenas fortalece sua posição no mercado de nuvem, mas também se insere no coração da corrida global por inteligência artificial, disputando terreno com Amazon, Google e Microsoft.
fonte: Cryptopolitan
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