A Oracle decidiu transformar a forma como apoia startups em sua jornada de crescimento. Longe da ideia de um laboratório isolado ou espaço físico, a empresa apostou em algo mais estratégico: abrir conexões entre quem cria soluções e quem precisa delas para transformar operações. Assim nasceu o Data & AI Hub, iniciativa liderada por Marcelle Paiva, vice-presidente de Data & AI Hub para a Oracle América Latina.
O movimento surge em um momento em que a adoção de inteligência artificial por grandes companhias ainda avança de forma gradual, enquanto startups correm na frente com propostas inovadoras. “Nós precisávamos organizar um hub, porque, se precisamos realmente democratizar a IA por todas as áreas de negócio, por todo o tamanho da empresa, internamente, todos precisam saber se posicionar, falar e ajudar os clientes nesta jornada”, explica Paiva.
Na prática, o hub funciona como uma curadoria: a Oracle identifica startups com soluções maduras, oferece infraestrutura de nuvem e GPUs para desenvolvimento e cria pontes com clientes enterprise. Mais do que suporte técnico, o objetivo é ajudar no go-to-market, geração de receita e expansão internacional.
Um dos casos é o da Sofya, que desenvolveu uma ferramenta de transcrição de voz voltada ao setor de saúde e que já tem o Hospital Albert Einstein como cliente. Com o apoio do hub, a startup ampliou horizontes e levou sua tecnologia também para telecomunicações. “A nossa proposta é ir além dos créditos, porque isso é comum no mercado de nuvem e de inteligência artificial. Nesse setor, as empresas de tecnologia oferecem muitos créditos para as startups, que desenvolvem suas soluções. Mas, depois de pronta, essa solução precisa de algo mais: precisa de clientes, precisa de receita. Foi aí que entendemos que isso era mais poderoso. E, como a inteligência artificial trabalha em ecossistema, todas as empresas hoje funcionam como grandes plataformas”, afirma a VP.
Atualmente, o Data & AI Hub já reúne cerca de 30 parceiros com soluções expostas no Innovation Center da Oracle, em São Paulo. A meta é escalar: centenas de startups brasileiras devem integrar o ecossistema da companhia nos próximos anos. O plano é global: em setembro, 25 startups nacionais viajarão ao Vale do Silício, acompanhadas de investidores e clientes corporativos, em uma agenda voltada à internacionalização.
Um dos diferenciais da Oracle em relação a outros programas é a ênfase no impacto de negócios. Enquanto muitas iniciativas de mercado se concentram apenas em testes e desenvolvimento, a empresa se posiciona como um elo que gera valor entre startups e grandes empresas. Outro ponto forte é a flexibilidade: a Oracle atua em ambiente multi-cloud e de forma agnóstica em relação a modelos de IA. “A grande vantagem da Oracle é ser multi-cloud e trabalhar de forma agnóstica em relação aos modelos de IA. Assim, conseguimos colocar o cliente no centro e oferecer o que traz o melhor ROI”, reforça Paiva.
Esse posicionamento já mostra resultados. Startups como NeoSpace, que desenvolveu um modelo SLM para o setor financeiro, e WideLabs, voltada para soberania em IA, foram citadas em earnings calls da Oracle. Além de visibilidade, a estratégia amplia o consumo de infraestrutura da empresa e fortalece sua rede de clientes.
“O foco é sempre ajudar a escalar, seja local ou globalmente”, resume Marcelle.
fonte: Startupi
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