Recentemente, o JPMorgan, um grande banco multinacional, realizou sua primeira transação internacional utilizando tecnologia de finanças descentralizadas (DeFi), em uma blockchain pública, com êxito.
Na quarta-feira, dia 2, a transação foi intermediada pelo Projeto Guardian da Autoridade Monetária de Singapura (MAS) e incluída em um programa piloto com o objetivo de "investigar possíveis aplicações de finanças descentralizadas (DeFi) nos mercados de financiamento por atacado".
Desse modo, o programa piloto representou mais um avanço no estudo de como as instituições financeiras convencionais podem empregar ativos tokenizados e protocolos DeFi para a execução de transações, bem como em outras possíveis aplicações.
O programa piloto contou com a participação de diversas entidades, incluindo o DBS Bank, a maior instituição bancária de Singapura, a empresa bancária com sede em Tóquio, SBI Digital Asset Holdings, e a plataforma de liderança empresarial, Oliver Wyman Forum.
A transação ocorreu na rede blockchain Polygon, utilizando uma versão adaptada do código de contratos inteligentes do protocolo de empréstimos descentralizados Aave.
Conforme informado pela MAS, a transação consistiu em uma "negociação de câmbio cruzado ao vivo", na qual foram realizados depósitos tokenizados em dólares de Singapura e ienes japoneses, além de um exercício simulado de compra e venda de títulos do governo também tokenizados.
No mesmo dia da transação, Tyrone Lobban, líder do departamento de blockchain e ativos da Onyx Digital, uma unidade de negócios do JPMorgan, divulgou a novidade através do Twitter. Lobban destacou que os depósitos tokenizados representaram a primeira emissão desse tipo efetuada por um banco.
Sopnendu Mohanty, diretor de fintechs da MAS, afirmou que essa iniciativa representa um "grande avanço" rumo a redes financeiras mais eficientes. O programa piloto também contribuiu para o desenvolvimento da estratégia de ativos digitais do país, como explicou Mohanty:
"A realização de programas pilotos liderados por participantes do setor evidencia que, com as devidas medidas de segurança, os ativos digitais e as finanças descentralizadas têm o potencial de revolucionar os mercados de capitais."
De acordo com a Bloomberg, Umar Farooq, CEO da Onyx JPMorgan, afirmou que a transação em questão foi pioneira ao realizar depósitos tokenizados em um blockchain público, possivelmente sendo a primeira vez que um grande banco, ou até mesmo qualquer banco, realiza tal operação.
A Aave, um protocolo de empréstimos DeFi, comentou sobre o piloto recente, ressaltando que a transação representa um grande marco para o setor, visto que ela demonstra uma união entre ativos financeiros tradicionais e DeFi.
Em maio de 2022, foi oficialmente lançado o Projeto Guardian, aproximadamente um mês após a parceria estabelecida entre o JPMorgan e a DBS para desenvolver uma nova plataforma interbancária em blockchain, em complementação aos trabalhos com as moedas digitais do banco central (CBDCs).
O marco é alcançado quando diversos dos principais players financeiros afirmam que a tokenização de ativos do mundo real, baseada na tecnologia blockchain, tem um ótimo potencial futuro.
Segundo um relatório de setembro de 2022 do Boston Consulting Group, a estimativa é que o valor total de ativos ilíquidos tokenizados atinja US$ 16,1 trilhões até 2030.
Recentemente, Cynthia Wu, a diretora de operações da plataforma de serviços de ativos digitais Matrixport, expressou sua crença de que, em um período de cinco a dez anos, quase todos os tipos de ativos poderão ser tokenizados. Wu também destacou que os tokens não fungíveis (NFTs) podem ser uma ferramenta importante para representar ativos fora das redes blockchain, como escrituras imobiliárias, ações e títulos.
Fonte: https://exame.com/