O avanço acelerado da inteligência artificial trouxe um efeito colateral que agora está no centro das atenções de Wall Street: o consumo massivo de água e energia pelos data centers. Investidores de gigantes como Amazon, Microsoft e Google intensificaram a pressão por transparência antes das assembleias anuais de 2026, preocupados com os riscos operacionais e climáticos decorrentes da expansão dessas infraestruturas. Em 2025, o consumo de água por data centers na América do Norte atingiu a marca de 1 trilhão de litros, volume comparável à demanda anual de toda a cidade de Nova York.
A Trillium Asset Management, que gere US$ 4 bilhões, lidera uma das frentes contra a Alphabet (Google), questionando como a empresa cumprirá sua meta de operar com energia livre de carbono até 2030, visto que suas emissões saltaram 51% recentemente. A preocupação é compartilhada pela Green Century Capital Management, que discute com a Nvidia formas de garantir que o lucro imediato com a IA não se transforme em um passivo financeiro e ambiental no longo prazo devido à insustentabilidade do modelo.
A opacidade dos dados e o impacto local
Embora as Big Techs tenham começado a reportar números globais, os investidores criticam a falta de detalhamento por instalação. A Meta, por exemplo, reportou um aumento de 51% no uso de água entre 2020 e 2024, mas omitiu dados de unidades alugadas ou em construção. Já Amazon e Microsoft apresentam números totais sem especificar o impacto em bacias hidrográficas locais, o que dificulta a avaliação de riscos em regiões propensas à seca.
A resistência não vem apenas do mercado financeiro; comunidades locais nos EUA têm barrado projetos bilionários por receio de que a sede dos servidores pressione o abastecimento público. “Não vimos divulgação suficiente sobre o consumo de água e seus efeitos locais”, pontuou Jason Qi, da Calvert Research and Management. Para mitigar o problema, empresas estão adotando sistemas de resfriamento em circuito fechado, mas o ritmo de implementação ainda é visto como insuficiente diante da escala da infraestrutura necessária para a IA.
Sustentabilidade como valor central e prioridade estratégica
Em resposta, as companhias tentam reafirmar seus compromissos ambientais. A Amazon declarou estar ampliando a divulgação de dados por unidade e investindo em eficiência para ser uma “boa vizinha” nas localidades onde opera. A Microsoft reforça que a sustentabilidade é um valor central, buscando soluções de longo prazo para enfrentar o desafio energético.
Para os analistas, a transparência tornou-se um item de sobrevivência para o setor. Como o engajamento comunitário virou prioridade, as empresas precisam provar que seus data centers não competirão por recursos essenciais com a população. Em 2026, a “soberania digital” e o sucesso da inteligência artificial dependem, mais do que nunca, da capacidade das Big Techs de gerenciarem sua pegada hídrica e energética de forma ética e auditável.
fonte: olhar digital
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