A Inteligência Artificial deixou de ser tendência para se tornar alicerce da competitividade empresarial. Presentes no atendimento ao cliente, na análise de dados e até na tomada de decisões, soluções de IA se tornaram sinônimo de eficiência, economia e vantagem estratégica. No entanto, a urgência da transformação digital expõe um dilema que ganha cada vez mais protagonismo: internalizar ou contratar?
A decisão está longe de ser simples. Para muitas empresas, construir estruturas internas parece promissor. Afinal, isso oferece controle, personalização e retenção de dados estratégicos. Não à toa, cresce a criação de áreas dedicadas à IA nas corporações, com destaque para a figura do Chief AI Officer (CAIO), que lidera times responsáveis por identificar necessidades, testar e implantar soluções.
O problema? Tempo. Processos internos tendem a ser mais lentos, e a IA exige agilidade. Em um momento em que cada segundo conta, a demora em entregar soluções abre espaço para um comportamento silencioso e arriscado: a chamada “IA paralela”. Segundo estudo do MIT, quase metade dos profissionais afirma utilizar ferramentas de IA sem aprovação formal. No varejo, o uso não autorizado cresceu 169% em um único ano. A falta de governança, nesse cenário, coloca em risco dados e estratégias inteiras.
Diante disso, a terceirização desponta como alternativa eficiente e segura. Plataformas especializadas, APIs e modelos SaaS oferecem tecnologias prontas para uso, com atualizações constantes e suporte técnico. Segundo o Gartner, até 2026, 80% das grandes empresas utilizarão soluções de IA terceirizadas, contra apenas 5% em 2023. O recado é claro: quem ignora essa tendência, corre o risco de ficar para trás.
Mais do que uma questão de rapidez, contratar IA também libera times internos para focar naquilo que realmente importa: a diferenciação. Ao deixar o operacional nas mãos de especialistas, as empresas conseguem concentrar esforços em iniciativas estratégicas, com maior impacto nos resultados e no posicionamento de mercado.
Isso, no entanto, não significa abandonar totalmente o desenvolvimento interno. Quando há diferenciação clara, personalização de alto valor e necessidade de controle total dos dados, internalizar faz sentido. O desafio, nesse caso, é lidar com a escassez de talentos. No Brasil, a demanda por especialistas em IA deve ser quatro vezes maior que a oferta até 2030, o que impacta diretamente a escalabilidade e o custo de operações 100% internas.
A solução? Equilíbrio. A verdadeira estratégia não está na polarização entre construir ou comprar, mas em saber dosar as duas abordagens. Startups, por exemplo, podem acelerar sua tração com ferramentas prontas, enquanto constroem seus diferenciais ao longo do tempo. Já grandes empresas podem manter times internos focados em projetos críticos, terceirizando o restante com segurança e agilidade.
Seja qual for o porte, a inovação aberta é o novo normal. Nenhuma organização, por mais madura que seja, conseguirá inovar sozinha na velocidade em que a IA evolui. Parcerias, colaboração e acesso às melhores soluções do mercado são peças fundamentais para quem busca liderar.
A questão, portanto, não é se sua empresa vai adotar IA. A pergunta certa é: como estruturar uma estratégia inteligente, sustentável e inovadora, que mantenha sua competitividade ativa em um mercado que não para de evoluir?
fonte: E-commerce Brasil
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