A inteligência artificial começa a ocupar um espaço mais estratégico dentro das empresas. Se até aqui boa parte dos investimentos esteve concentrada em produtividade e automação, a expectativa do mercado é que, até o fim da década, a IA se consolide como principal motor de crescimento dos negócios.
A percepção vem ganhando força entre executivos. Segundo levantamento global da IBM, 79% dos líderes entrevistados acreditam que a IA contribuirá de forma significativa para a receita de suas empresas até 2030. Hoje, esse índice está em 40%. O dado mostra uma mudança clara de visão: a tecnologia deixa de ser tratada apenas como apoio à operação e passa a ser vista como alavanca direta de expansão.
“A IA não vai apenas apoiar as empresas, ela vai defini-las”, disse Mohamad Ali, vice-presidente sênior da IBM Consulting. “Até 2030, as empresas que vencerem vão entrelaçar IA em cada decisão e operação. Eles possuirão ativos poderosos de IA, poderão mover-se mais rápido que os concorrentes, trarão inovações ao mercado rapidamente e entregarão resultados reais e mensuráveis de negócios usando tecnologia e automação”, afirmou.
Apesar do otimismo, o estudo aponta um descompasso importante entre expectativa e preparo. Embora a maior parte dos executivos espere crescimento de receita com IA, poucos ainda têm clareza sobre de onde esse resultado virá. Ao mesmo tempo, persiste o receio de que iniciativas fracassem por falta de integração com o negócio principal.
Esse é um ponto decisivo. A IA tende a gerar mais valor quando deixa de operar de forma isolada e passa a se conectar à estratégia da empresa, aos fluxos de trabalho e às decisões das lideranças. Sem essa integração, o risco é acumular projetos pontuais, mas sem impacto consistente em competitividade.
A pesquisa também sugere uma mudança relevante na destinação dos recursos. Hoje, quase metade dos gastos com IA está voltada à eficiência. Até 2030, a expectativa é que a maior parte dos investimentos esteja direcionada à inovação. Isso indica que as empresas querem usar a tecnologia não apenas para fazer melhor o que já fazem, mas para criar novas capacidades, novos produtos e novos modelos de atuação.
Outro sinal forte está na transformação da liderança. Os executivos ouvidos avaliam que a IA deve redefinir funções de comando, acelerar o surgimento de novos cargos e alterar as habilidades mais valorizadas nas organizações. Mais do que uma mudança tecnológica, o avanço da IA começa a redesenhar estruturas de decisão, perfis profissionais e prioridades corporativas.
O retrato que emerge é claro: até 2030, vantagem competitiva deverá depender menos de eficiência isolada e mais da capacidade de transformar IA em inovação real, com impacto mensurável no crescimento.
fonte: Infor Channel
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