IA deixa de ser acessório para se tornar o alicerce dos negócios, afirma IBM

A inteligência artificial atingiu um novo estágio de maturidade em 2026, deixando o posto de simples ferramenta de produtividade para assumir um papel estrutural nas organizações e na sociedade. Durante o South Summit, em Porto Alegre, Fabrício Lira, diretor de dados e IA da IBM, explicou que a tecnologia agora atua como um elemento central que “destrava” a inovação em larga escala. Segundo o executivo, esse movimento democratiza a criação, permitindo que qualquer pessoa com uma ideia consiga materializá-la em soluções concretas através de um arcabouço tecnológico poderoso.

No entanto, Lira alerta que a velocidade dessa transformação exige responsabilidade. “Da mesma forma que acelera, a gente também tem que se preocupar com as questões fundamentais nossas enquanto sociedade. Privacidade, transparência, confiabilidade, responsabilidade e dados”, pontuou. O avanço acelerado, se não for acompanhado por controles éticos e técnicos, pode ampliar riscos inerentes ao “hype” do setor, onde muitas empresas buscam a IA sem o devido preparo organizacional.

O abismo entre o potencial e a execução prática

Apesar do entusiasmo global, os dados da IBM revelam um descompasso crítico nas lideranças corporativas. Embora a maioria dos CEOs acredite que a IA seja o principal diferencial competitivo da atualidade, apenas um quarto deles consegue determinar como aplicar essa tecnologia de forma estratégica. Essa lacuna entre intenção e execução é um dos maiores desafios para as empresas que buscam escalar seus resultados em 2026.

Um fator determinante para o sucesso, segundo Lira, é a governança de dados na origem. O executivo foi enfático ao afirmar que a agilidade é inegociável: “A governança nasce lá na origem do dado, essa cadeia inteira tem que estar coberta”. Em um mercado dinâmico, utilizar informações defasadas é um caminho direto para o erro. “Não dá para tomar decisão com um dado de uma semana atrás, dado defasado é decisão errada”, alertou, reforçando que a maturidade das empresas brasileiras ainda é baixa, mas tende a evoluir sob pressão de marcos como a LGPD e regulamentações do setor financeiro.

2026: O ano da escalada dos agentes de IA

A estratégia da IBM para o mercado brasileiro este ano está focada em três pilares: dados em tempo real, integração de tecnologias e a consolidação dos agentes de IA. Lira acredita que este é o momento em que esses agentes deixarão de ser experimentais para se tornarem peças operacionais autônomas dentro das companhias. A empresa tem investido pesado em infraestrutura local e na formação de profissionais para suportar essa demanda.

Para o diretor, o segredo da IA corporativa não está na tecnologia pela tecnologia, mas na resolução de problemas reais de negócio. “Não adianta ter toda a tecnologia do mundo se você não identifica um problema de negócio”, afirmou. A visão da IBM propõe que a IA seja consumida como blocos orquestrados, onde o valor final é medido pelo resultado prático e pela capacidade de transformar a estrutura de trabalho em algo mais inteligente e resiliente.

fonte: ti inside

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