CEOs colocam eficiência no centro da estratégia em 2026

A eficiência operacional mudou de patamar. Deixou de ser uma pauta tática, acionada em momentos de pressão por custos, e passou a ser tratada como um tema estratégico, contínuo e diretamente ligado à capacidade de crescimento. Na nova lógica, eficiência não significa apenas “gastar menos”. Significa reduzir variabilidade, ganhar previsibilidade, acelerar decisões e converter tempo economizado em vantagem competitiva. Em um ambiente de instabilidade recorrente, com cadeias mais complexas, clientes menos tolerantes e ciclos de mercado mais rápidos, o debate migra para a mesa do CEO porque é ali que se decide o que será protegido, simplificado, integrado e escalado.

Esse reposicionamento tem um motivo claro: eficiência passou a ser um instrumento de resiliência e de caixa. Organizações que eliminam retrabalho, diminuem estoque desnecessário, encurtam ciclos e reduzem falhas liberam capacidade “investível” para crescer, inovar ou competir por preço sem destruir margem. O que antes era economia invisível se torna recurso real. E, quando esse recurso é bem governado, ele cria uma operação mais previsível, capaz de reagir rápido a mudanças externas sem entrar em modo permanente de emergência.

O artigo aponta que, nesse contexto, CEOs vêm priorizando três frentes que se reforçam mutuamente. A primeira é a integração de dados, em busca de uma visão única dos processos e do fim de silos de informação. A segunda é o uso de BI e analytics operacionais para detectar gargalos em tempo real e antecipar desvios antes que virem crise. A terceira é a automação inteligente, que libera pessoas de tarefas repetitivas, reduz falhas humanas e acelera a passagem de decisão para execução. Essa tríade, quando bem conectada, cria um ciclo virtuoso: visibilidade vira decisão, decisão vira ação e ação vira resultado mensurável.

O texto também menciona um dado de pesquisa para contextualizar a prioridade da liderança. Segundo levantamento da Gartner, 62% dos CEOs escolheram o crescimento da empresa como prioridade em 2024. A leitura implícita é que, para crescer em cenários incertos, não basta buscar receita: é preciso estruturar uma operação capaz de sustentar esse crescimento sem colapsar em custo, complexidade e ineficiência.

Por que tantas empresas ainda travam na eficiência de ponta a ponta

Mesmo com tecnologia disponível e casos de sucesso amplamente difundidos, a eficiência “fim a fim” ainda esbarra em bloqueios recorrentes. O texto lista quatro obstáculos estruturais.

O primeiro é uma fundação frágil de dados, marcada por fragmentação e baixa qualidade. Sem dados confiáveis, métricas viram debate e decisões viram disputa de narrativa. O segundo é a arquitetura legada, com sistemas desconectados que dificultam integração e criam múltiplas versões da verdade. O terceiro é a ausência de governança: processos sem dono, fluxos pouco documentados, decisões difusas e responsabilidades diluídas. E o quarto é a falta de priorização, que prende orçamento em projetos táticos, sem atacar causas-raiz nem construir capacidades de médio e longo prazo.

Sobre tudo isso, há uma barreira menos visível e frequentemente mais poderosa: resistência cultural. Equipes acostumadas ao “como é” tendem a proteger rotinas, mesmo quando elas custam caro. A eficiência, nesse caso, não falha por falta de ferramenta, mas por falta de mudança de comportamento. E é aqui que o papel do CEO cresce: eficiência não se delega totalmente, porque envolve escolhas, padrões, disciplina e alinhamento entre áreas.

Cultura como multiplicador: dono do processo, melhoria contínua e métricas vivas

O texto é direto ao afirmar que, sem mudança comportamental, tecnologia vira custo. Com cultura orientada à eficiência, tecnologia vira alavanca. Para isso, três pilares aparecem como essenciais.

O primeiro é propriedade clara: cada processo precisa de um dono com autoridade e responsabilidade. Sem isso, melhorias ficam sem continuidade. O segundo é rotina de melhoria contínua, sustentada por ciclos curtos de experimentação, aprendizado e ajustes, em vez de programas gigantescos que nunca terminam. O terceiro é o uso de métricas vivas, compartilhadas em tempo real e conectadas ao propósito de cada equipe, para que eficiência deixe de ser discurso e vire rotina operacional.

Nesse desenho, o líder tem um papel específico: modelar experimentação, reconhecer ganhos reais e criar um ambiente psicologicamente seguro para “falhar rápido” e corrigir rápido. Esse ponto é central porque eficiência não é uma intervenção única; é um processo de aprendizado em que ajustes frequentes produzem ganhos sustentáveis.

Eficiência como base da experiência do cliente

Outra mudança importante é a conexão entre eficiência interna e experiência do cliente. Processos enxutos tendem a entregar consistência, confiabilidade, qualidade e menos erros, elementos mínimos para gerar confiança. Quando a operação fica menos ocupada apagando incêndio, sobra capacidade para iniciativas de maior valor percebido: atendimento consultivo, inovação, customização e respostas mais rápidas. Ou seja, eficiência deixa de ser “um assunto da operação” e passa a ser um tema de reputação e de fidelidade.

No fim, a tese do artigo converge para uma fórmula executiva: eficiência reduz o custo da operação básica e libera potencial humano para criar diferencial competitivo, viabilizando crescimento mais lucrativo. E, para mensurar isso, a recomendação é ir além de métricas financeiras tradicionais, estruturando KPIs de processo, de cliente e financeiros, conectados entre si.

Ao projetar 2026 como um ano de desafios e instabilidades, a mensagem é que a nova agenda já está definida: integração de processos, dados e tecnologia, com governança e cultura, para transformar economia operacional em capacidade de crescimento. Quem iniciar agora tende a acumular vantagem. Quem adiar, corre o risco de operar sempre no limite.

fonte: Infor Channel

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