A inteligência artificial generativa deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade cotidiana. E o Brasil está no centro dessa transformação. Segundo uma pesquisa global conduzida pela Cisco em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país figura entre os líderes mundiais no uso da IA generativa, sendo superado apenas pela Índia.
O levantamento mostra que 51,6% dos brasileiros já utilizam IA generativa, colocando o país na vanguarda das economias emergentes. A pesquisa, que integra o Digital Well-being Hub da OCDE, analisou a relação de diferentes gerações com a tecnologia em diversos países. O estudo também revelou que jovens adultos são os principais usuários de IA no mundo todo, especialmente na Índia, Brasil, México e África do Sul, onde também se observam os maiores níveis de confiança e participação em treinamentos sobre o tema.
Essa liderança dos emergentes representa uma inversão de cenário. Antes, países desenvolvidos assumiam a dianteira na adoção de novas tecnologias. Agora, as nações em desenvolvimento tomam a frente, impulsionadas pela rápida digitalização, pela maior aceitação de inovações e por um desejo crescente de transformação.
Contudo, o uso crescente da IA generativa traz consigo desafios importantes, sobretudo relacionados ao bem-estar digital. A pesquisa destaca que o tempo de tela recreativo está diretamente ligado ao impacto emocional dos usuários. Em países com maior uso de IA, observa-se um padrão de comportamento digital mais intenso, com interações sociais majoritariamente digitais e emoções mais oscilantes.
Em média, pessoas que passam mais de cinco horas por dia em atividades recreativas na frente de telas relatam níveis menores de bem-estar e satisfação com a vida. Ainda que o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito direta, ele evidencia a urgência de discutir os efeitos do uso excessivo da tecnologia na saúde mental.
Guy Diedrich, vice-presidente sênior e diretor global de Inovação da Cisco, defende que o avanço da IA deve ser equilibrado com responsabilidade. “As economias emergentes têm um grande potencial quando se trata de capacitação em IA, mas é preciso garantir que essas ferramentas sejam desenvolvidas e usadas de forma responsável, com transparência, privacidade e equilíbrio”, afirma.
O contraste geracional também é nítido. Mais da metade das pessoas com menos de 35 anos utilizam ativamente ferramentas de IA, e cerca de 75% desse público reconhecem a utilidade dessas soluções. No Brasil, porém, apenas 41,4% dos entrevistados afirmaram ter recebido algum tipo de qualificação na área nos últimos 12 meses, o que aponta para um desequilíbrio entre uso e capacitação.
Entre os brasileiros com mais de 45 anos, a resistência ao uso da IA aumenta. A maior parte não utiliza as ferramentas, e muitos ainda expressam insegurança em relação à tecnologia. Segundo o estudo, essa resistência não está necessariamente ligada à rejeição, mas sim à falta de familiaridade.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, os jovens brasileiros estão entre os mais confiantes de que a IA terá impacto direto em suas carreiras e oportunidades. Essa perspectiva, somada aos índices de uso da tecnologia, reforça o papel central das iniciativas de educação digital e de políticas públicas que promovam a inclusão tecnológica com responsabilidade.
O estudo conclui que o avanço da IA generativa deve ser acompanhado por ações coordenadas entre empresas, governos e sociedade civil para garantir que seus benefícios sejam amplamente distribuídos entre gerações e regiões, reduzindo desigualdades e promovendo oportunidades reais de crescimento e bem-estar.
fonte: eCommerce Brasil
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