A transformação no mundo do trabalho já deixou de ser uma previsão e se consolidou como realidade. A inteligência artificial, a automação e os avanços em big data estão redesenhando funções, reestruturando mercados e exigindo uma reinvenção urgente das competências profissionais.
De acordo com o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), as habilidades mais valorizadas nos próximos anos não serão apenas técnicas, mas também profundamente humanas e estratégicas. O estudo, que ouviu mais de mil grandes empregadores em 55 economias, indica que o foco das organizações está migrando para uma força de trabalho analítica, resiliente, criativa e digitalmente fluente.
Pensamento analítico, resiliência e liderança: os pilares do novo profissional
No topo do ranking das competências mais valorizadas está o pensamento analítico, considerado essencial por 69% das empresas. Em seguida, vêm resiliência, flexibilidade e agilidade (67%), traços indispensáveis para navegar um ambiente de negócios em constante mudança.
A liderança e influência social também seguem fortes no radar dos empregadores, sendo citadas por 61% deles. Essas competências são vistas como fundamentais para coordenar equipes híbridas, impulsionar a cultura organizacional e promover decisões com impacto positivo e colaborativo.
Outros destaques incluem:
– Pensamento criativo (57%)
– Motivação e autoconsciência
– Literacia tecnológica
– Empatia e escuta ativa
– Curiosidade e aprendizagem contínua
IA e big data: da margem ao centro do jogo corporativo
Apesar de menos da metade dos empregadores considerarem IA e big data como competências críticas no presente, esse cenário deve mudar radicalmente até 2030. A expectativa de crescimento para essa competência é de 87%, o maior salto entre todas as habilidades avaliadas no estudo.
Em paralelo, áreas como cibersegurança (70%) e literacia tecnológica (68%) também devem ganhar protagonismo, refletindo a crescente dependência das empresas por sistemas digitais seguros e eficientes.
Essa mudança aponta para uma tendência clara: a tecnologia será o alicerce das decisões humanas, e não apenas uma ferramenta de apoio.
“À medida que a IA automatiza processos, a demanda por certas funções já começa a cair, especialmente nas posições de entrada. Para sobreviver à reestruturação do mercado, os profissionais precisarão se reinventar”, destaca o relatório.
Competências que perdem força
Duas áreas devem registrar queda de relevância: destreza manual, resistência e precisão, e leitura, escrita e matemática. Isso não significa que serão descartadas, mas que sua importância relativa diminuirá frente a competências cognitivas, sociais e digitais mais complexas.
Europa prevê menos mudanças; América Latina deve se adaptar
O relatório também revela que o nível de transformação nas competências varia conforme o nível de desenvolvimento econômico. Enquanto países da Europa Ocidental preveem menor instabilidade nas habilidades até 2030, economias de renda média, como a maioria das latino-americanas, devem passar por grandes reestruturações em suas demandas profissionais.
Isso reforça a urgência de investir em reciclagem de talentos, programas de upskilling e estratégias robustas de gestão de competências.
Como se preparar para esse novo mercado?
Profissionais que desejam manter sua relevância no mercado precisam focar em três grandes frentes:
- Domínio analítico e tecnológico: IA, big data, cibersegurança e literacia digital não são mais diferenciais, e sim pré-requisitos para atuar estrategicamente.
- Habilidades humanas aprimoradas: empatia, liderança, criatividade, escuta ativa e flexibilidade serão cada vez mais valorizadas.
- Aprendizado contínuo: cultivar a curiosidade e investir em capacitação constante será uma vantagem competitiva duradoura.
O futuro do trabalho é híbrido, dinâmico e exige um novo tipo de talento: capaz de operar com tecnologia, liderar pessoas e aprender o tempo todo.
fonte: Euronews Business
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