Segundo Migel Tissera, CTO e cofundador da Metaspectral em Vancouver, a tecnologia pode melhorar a sustentabilidade agrícola. A automação do trabalho manual é uma aplicação evidente, mas também é possível usar análise espectral avançada para agricultura de precisão. Tissera explicou que, por meio do aprendizado profundo, dados espectrais podem ser analisados para identificar a composição do material capturado em imagens, contendo informações do espectro eletromagnético
Segundo Tissera, os dados espectrais permitem criar modelos ambientais para mapear GEEs, quantificar o sequestro de carbono, medir clorofila, detectar doenças nas culturas e medir umidade do solo. Essa análise possibilita ações hiper-localizadas na fazenda, como aplicação de nutrientes em locais específicos para obter melhores resultados.
De acordo com Tissera, a principal vantagem dos dados de observações de satélite é a escalabilidade, permitindo a análise de vastas áreas de terra. Isso complementa as plataformas aéreas, como drones, que fornecem informações mais localizadas.
Com dados de observação espacial, Tissera afirma que é possível criar modelos que abrangem partes mais extensas da atmosfera, proporcionando uma visão panorâmica da terra.
De acordo com o executivo, essa abordagem permite criar modelos de GEEs que cobrem províncias e países inteiros. Ao obter uma visão mais ampla e holística, é possível criar políticas e legislações nacionais para lidar com a questão.
Tissera reconhece que a implementação de tecnologias avançadas pode enfrentar barreiras financeiras. Embora os custos dessas tecnologias devam diminuir com o tempo, ele acredita que o nível tributário também deve abordar esse problema, concedendo incentivos fiscais aos agricultores que adotam tecnologias que melhoram a sustentabilidade.
A Pitchbook, empresa de dados, divulgou sua mais recente pesquisa sobre tecnologias emergentes em dezembro de 2021, revelando que as startups de agtech arrecadaram US$ 3,2 bilhões (R$ 16,92 bilhões) no terceiro trimestre do mesmo ano. O relatório enfatiza as razões para o aumento do financiamento, que incluem a crescente preocupação com a segurança alimentar em meio às interrupções na cadeia de suprimentos globais, bem como a adoção de culturas mais produtivas habilitadas por dados e técnicas agrícolas ecologicamente corretas.
Além disso, o estudo aponta para o crescimento no financiamento impulsionado pelo capital de risco, direcionado para produtos biológicos agrícolas, que são alternativas ecologicamente sustentáveis aos fertilizantes sintéticos. Outras tecnologias emergentes, como a implantação de sensores no campo e o uso de imagens hiper espectrais com drones.
Robótica alimentada por IA
Jonathan Berte, o fundador e ex-CEO da plataforma de gerenciamento Robovision, argumenta que a sociedade está exigindo cada vez mais da agricultura. É necessário alimentar mais pessoas, com menor impacto no meio ambiente e com produtos de maior qualidade, mas sem aumentar os preços.
Segundo Berte, a escassez de mão de obra é um desafio adicional que torna ainda mais difícil a tarefa de agricultores e produtores em manter a rentabilidade. Além disso, em países desenvolvidos, as expectativas da sociedade estão sendo refletidas em regulamentações mais rigorosas. Para atender à demanda crescente por vegetais saudáveis e pelo uso de pesticidas não poluentes, é necessário implantar robôs de colheita com inteligência artificial em grande escala.
De acordo com Berte, é esperado um aumento na automação com o uso de robótica e inteligência artificial na próxima década, com a horticultura liderando o caminho e a agricultura seguindo o exemplo. A utilização de robôs no manejo e trabalho nas lavouras se tornará algo comum nos próximos anos. Além disso, é esperado o desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de fazenda com IA, que permitirão a tomada de decisões em nível micro, garantindo que cada planta individual receba a quantidade ideal de água e nutrientes para crescer de maneira ideal.
Conforme Berte, a inteligência artificial terá um papel crucial na criação de uma agricultura mais sustentável. Com máquinas inteligentes, será possível produzir mais utilizando menos pesticidas, água e terra, além de permitir o cultivo de alimentos mais próximos aos consumidores.
Lyons afirmou que trabalhou com a empresa para identificar ações específicas em cada hectare de fazenda que poderiam reduzir as emissões em quase 70%. Isso representa uma redução de emissões equivalente à substituição de todos os carros a gasolina em São Francisco por veículos elétricos.
As marcas de moda globais, como Allbirds, VF Corporation e Loro Piana, contam com as fazendas para fornecer algumas das melhores lãs do mundo. Agora, essas fazendas abriram um caminho para as marcas de moda fornecerem fibras naturais líquidas zeros em uma escala nunca antes alcançada.
Jennifer Kite-Powell é colaboradora da Forbes EUA e jornalista especializada em escrever sobre como a inovação, tecnologia e ciência se cruzam com diferentes indústrias, como meio ambiente, artes, agricultura, mobilidade e saúde
Fonte: https://forbes.com.br/forbesagro