Em um mercado frequentemente associado à juventude, o CEO da TOTVS, Dennis Herszkowicz, levanta a voz contra o etarismo, o preconceito baseado na idade. Em entrevista ao Dinheiro Entrevista, o executivo de 51 anos afirmou que os “50 são os novos 30”, destacando que se sente no auge de sua capacidade física e mental para enfrentar desafios. Segundo Herszkowicz, a TOTVS foca em cultura, conhecimento e motivação, ignorando a faixa etária como critério de exclusão em seus processos seletivos.
A postura do líder da gigante brasileira de software contrasta com a realidade estatística do país. Dados da consultoria Robert Half indicam que 70% das empresas contratam poucos ou nenhum profissional acima de 50 anos, e essa faixa etária representa apenas 5% da força de trabalho nas organizações. O etarismo manifesta-se de forma cruel: uma pesquisa do Grupo Croma revela que 86% das pessoas com mais de 60 anos já sofreram preconceito no ambiente corporativo, independentemente de sua senioridade ou qualificação.
O abismo entre experiência e oportunidade
Embora o número de profissionais idosos ocupados tenha avançado 70% entre 2012 e 2024, atingindo 8,6 milhões de pessoas, a qualidade dessas ocupações ainda é um desafio. Segundo a FGV-Ibre, a maioria desses postos oferece remuneração reduzida, e mais da metade desses profissionais está na informalidade. Casos de exclusão explícita, como o de um candidato de 45 anos que teve o currículo descartado por uma recrutadora com a mensagem “passou da idade”, evidenciam que o mercado ainda desperdiça talentos em plena fase produtiva.
Herszkowicz reforça que a diversidade geracional traz benefícios para as companhias, unindo a energia de novos talentos à maturidade de quem já vivenciou diferentes ciclos econômicos. O executivo, que mantém uma rotina disciplinada acordando às 4h30 da manhã, ressalta que o sucesso não depende de fórmulas prontas ou idade, mas de como o profissional se encaixa na cultura e nos objetivos da empresa.
Inclusão geracional como diferencial competitivo
A fala do CEO da TOTVS sinaliza uma mudança necessária de mentalidade para o setor de tecnologia em 2026. Com a escassez de talentos e a complexidade crescente dos negócios, empresas que mantêm barreiras etárias limitam seu próprio crescimento. O foco na “pessoa legal” e no “conhecimento necessário”, mencionado por Dennis, aponta para uma gestão de recursos humanos mais humanizada e estratégica.
Para as organizações, o desafio é transformar o discurso de diversidade em práticas de contratação reais. Combater o etarismo significa reconhecer que a experiência acumulada é um acelerador de resultados, especialmente em funções que exigem liderança, resiliência e visão de longo prazo. Enquanto a sociedade brasileira envelhece, o mercado de trabalho precisa aprender a valorizar o profissional que, aos 50, traz o vigor de quem está apenas começando uma nova e produtiva fase.
fonte: istoé dinheiro
Acesse as verticais Revna a seguir, para obter mais detalhes:
Serviços: hunting / outsourcing
Soluções: erp totvs / inteligência artificial