A Amazon Web Services (AWS) confirmou que manterá a disponibilidade das tecnologias da Anthropic para seus clientes globais, mas impôs um bloqueio imediato para qualquer aplicação vinculada ao Departamento de Defesa (DOD) dos Estados Unidos. A medida ocorre em um momento de tensão institucional, após o governo americano classificar a startup de inteligência artificial como um “risco para a cadeia de suprimentos”.
A restrição impacta diretamente o uso do modelo Claude em cargas de trabalho associadas ao setor militar. Segundo um porta-voz da AWS, “clientes e parceiros da AWS podem continuar usando o Claude para todos os workloads que não estejam associados ao DoW”. Para os projetos governamentais que já utilizavam a tecnologia da Anthropic, a Amazon informou que está prestando suporte na migração para outras alternativas de IA disponíveis em sua plataforma de nuvem.
Alinhamento entre gigantes e embate jurídico
A postura da Amazon coloca a líder do mercado de nuvem em sintonia com suas principais concorrentes, Microsoft e Google, que adotaram restrições semelhantes em seus respectivos serviços. O pano de fundo dessa decisão é uma determinação formal do Departamento de Defesa comunicada à Anthropic na última quinta-feira. Em contrapartida, a startup declarou que não possui outra alternativa a não ser contestar a designação de risco na Justiça, buscando reverter a classificação que limita sua atuação no bilionário mercado de defesa.
O cenário é complexo devido à profundidade das parcerias envolvidas. A Amazon é uma das maiores investidoras da Anthropic, com aportes que somam 8 bilhões de dólares. Além disso, a startup é peça central no “Project Rainier”, um campus de data centers da AWS avaliado em 11 bilhões de dólares, onde a Anthropic se comprometeu a utilizar 500 mil chips personalizados Trainium 2 para o treinamento de seus modelos.
O paradoxo dos contratos governamentais
A exclusão da Anthropic dos projetos de defesa contrasta com o histórico recente de expansão da startup no setor público. Em 2024, a Anthropic havia firmado parcerias com a Palantir e a própria AWS para levar o modelo Claude a agências de inteligência. Meses depois, a empresa conquistou um contrato de 200 milhões de dólares com o Departamento de Defesa, tornando-se o primeiro laboratório de IA a integrar modelos em redes classificadas de missão.
A Amazon, por sua vez, mantém uma presença robusta em contratos federais, tendo reservado até 50 bilhões de dólares para infraestrutura de IA voltada a governos. Com o novo bloqueio, a AWS busca proteger sua vasta operação com o setor público — que atende mais de 11 mil agências — enquanto navega pelas incertezas regulatórias e de segurança nacional que agora cercam um de seus principais parceiros tecnológicos.
fonte: times brasil
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