A estratégia de nuvem soberana do Serpro ganhou um novo capítulo com o avanço das negociações para trazer também a AWS para um modelo de infraestrutura isolada dentro da estatal. A movimentação amplia uma arquitetura que já envolve a Huawei e deve incluir a Google, consolidando um desenho pouco comum no mercado global: ambientes mantidos sob domínio físico e operacional do próprio Serpro, com foco em dados ultra sensíveis e exigências máximas de controle.
“Fizemos primeiro com a Huawei e a Google também está no projeto e promete entregar até o final do semestre. E agora a AWS vai trazer para dentro do Serpro uma nuvem também isolada. Mudamos o paradigma do mercado”, diz o presidente do Serpro, Wilton Mota.
O ponto central dessa proposta é o isolamento. Diferentemente de modelos convencionais de cloud, nos quais a infraestrutura pode estar localmente instalada, mas ainda depende de orquestração externa ou atualizações remotas, a nuvem soberana desenhada pelo Serpro busca eliminar essa dependência. Nesse formato, os dados não circulam para fora do data center e até as atualizações de software são feitas presencialmente, reduzindo a superfície de exposição em operações consideradas críticas.
A motivação está ligada ao perfil das informações tratadas pela estatal, especialmente em estruturas ligadas à Receita Federal e a outros sistemas de governo que operam sob exigência máxima de sigilo, continuidade e rastreabilidade. Nesse contexto, a distinção entre uma nuvem pública de governo e uma nuvem soberana passa a ser decisiva. A primeira pode ser segura e monitorada, mas ainda mantém algum nível de conexão externa. A segunda é tratada como um ambiente efetivamente isolado.
“Por conta da criticidade da Receita Federal, evoluímos para uma nuvem soberana, aquela nuvem completamente isolada. E com isso a gente mudou o paradigma desse ambiente no mercado. Fizemos primeiro com a Huawei. A Google, que já está nesse projeto junto com a Huawei, só não entregou ainda, está fazendo os estudos e trabalhando e implementando e promete até o final desse semestre, até maio, mais ou menos, para entregar também a nuvem soberana em nosso ambiente. E tive hoje mesmo uma reunião com a AWS, que está fazendo uma proposta de trazer para dentro do Serpro uma nuvem também isolada. Isso facilita, porque vou ter todos os players aqui dentro, para todos os gostos sobre o nosso domínio”, disse o presidente do Serpro, Wilton Mota.
Mais do que uma escolha tecnológica, o movimento tem peso estratégico. Ao reunir diferentes stacks dentro do próprio Serpro, o governo amplia autonomia sobre infraestrutura, reduz dependência operacional de fornecedores e cria redundância entre ambientes. Isso também permite migrar cargas entre plataformas distintas em caso de necessidade, preservando disponibilidade e continuidade de serviço.
O modelo brasileiro chama atenção justamente por combinar tecnologias de grandes provedores globais com uma exigência incomum de controle local. Na prática, a discussão sobre nuvem soberana deixa de ser apenas técnica e passa a envolver soberania digital, segurança institucional e governança sobre dados cada vez mais sensíveis.
fonte: Convergência Digital
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