A migração do SAP ECC para o S/4HANA continua avançando em ritmo mais lento do que o esperado. Um novo retrato do mercado mostra que, para muitas empresas, a troca de plataforma ainda está longe de ser uma decisão simples ou imediata. Em vez de acelerar a transição, boa parte dos clientes prefere estender o uso do ambiente atual até o limite do calendário estabelecido pela SAP.
Mais da metade das empresas consultadas pretende permanecer no ECC até o fim de 2030, data em que se encerra o suporte prometido para as versões anteriores do ERP. A escolha revela que o custo extra de manutenção não tem sido suficiente para antecipar a mudança. Como o suporte regular deve terminar no fim de 2027, ficar no ambiente legado depois disso significará pagar 2% a mais pela manutenção.
Outro grupo, equivalente a 37%, planeja concluir a migração até 2027, evitando esse reajuste. Já uma parcela pequena pretende ir além de 2030, apostando em alternativas excepcionais de transição com suporte adicional em condições limitadas.
O dado mais relevante por trás desse cenário é que a postergação não parece estar ligada apenas à resistência à mudança. Em muitos casos, a migração é tratada como um projeto estrutural, cercado por dependências técnicas, restrições orçamentárias e disputa por prioridade dentro da área de TI. Falta de profissionais especializados, transformação digital em outras frentes e pressão sobre investimentos ajudam a explicar por que a decisão vem sendo empurrada.
Esse comportamento reforça uma percepção que já circula no mercado há alguns anos: apesar da pressão da SAP para ampliar a adoção do S/4HANA, ainda existe uma base significativa de clientes operando no ECC e sem disposição para acelerar um projeto de grande porte. Trata-se de um desafio especialmente sensível em grandes empresas, onde o ERP concentra processos críticos e qualquer transição exige planejamento cuidadoso, revisão de integrações e gestão de risco.
O resultado é um impasse conhecido no setor. De um lado, a necessidade de modernização. De outro, a complexidade real da jornada. No fim, o calendário pode até ser claro, mas a execução continua sendo o ponto mais delicado para quem precisa migrar sem comprometer a operação.
fonte: Baguete
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