IA fora do ERP ganha força e muda estratégia dos líderes de TI

A discussão sobre inovação em sistemas de gestão corporativa está mudando de lugar. Em vez de aguardar a próxima versão do ERP para ter acesso a recursos avançados, cresce a opção por adicionar inteligência artificial como uma camada externa, conectada aos sistemas de registro e aos processos já consolidados. A motivação é pragmática: quando a empresa depende do cronograma do fabricante para evoluir, a inovação vira fila.

Um estudo global da IDC com 711 líderes de TI e executivos de 10 países, realizado em setembro de 2025, aponta que essa sensação de dependência é generalizada. Segundo os dados, 92% das organizações afirmam se sentir em algum grau presas ao roadmap, ao licenciamento, aos preços e ao modelo de implantação do fornecedor de ERP, um tipo de lock-in que limita escolhas técnicas e comerciais. A consequência aparece no dia a dia: 47% dizem ter adiado iniciativas de inovação por exigências de atualização do sistema.

A leitura da IDC é que, na era da IA, esse atraso custa mais do que parecia custar antes. Quando automação e agentes viram catalisadores de produtividade, postergar projetos por meses ou anos até “terminar a modernização” aumenta a latência entre dados, decisão e ação. O estudo observa que o ponto de inflexão da IA está acontecendo agora, e o tempo requerido por upgrades e migrações se tornou um obstáculo adicional.

Nesse cenário, a estratégia mais comum tem sido preservar o que já funciona e modernizar por camadas. O relatório descreve um novo modelo operacional para software corporativo ancorado em IA, no qual agentes se integram aos sistemas transacionais existentes e ampliam o que eles entregam: automação, suporte, tomada de decisão e insights preditivos. A mudança não elimina o ERP, mas reposiciona seu papel como sistema de registro que pode se tornar mais “acionável” quando recebe inteligência ao redor.

Os números indicam como as organizações estão montando esse caminho. No recorte de estratégia de IA para os próximos 12 a 24 meses, 53% afirmam que pretendem adicionar ou integrar IA, agentes e automação de fornecedores não-ERP ao portfólio atual. Ao mesmo tempo, 50% dizem planejar migrar aplicações para a plataforma mais recente do seu fornecedor de ERP, com IA embarcada. Em outras palavras, há dois movimentos simultâneos: parte das empresas segue a evolução do fabricante, mas uma parcela equivalente busca valor fora do ERP, sem substituir os sistemas centrais.

A autonomia de atualização aparece como um eixo decisivo nessa escolha. A IDC registra que 68% consideram “muito importante” ou “extremamente importante” ter independência para decidir se e quando atualizar o software corporativo, sem ficar refém do calendário de releases e suporte do fornecedor. E esse desejo se conecta a um dado de ciclo de vida: 74% acreditam que seus ERPs têm vida útil valiosa mais longa do que os fabricantes estão dispostos a suportar. A combinação é explosiva para o modelo tradicional: se o sistema ainda atende ao negócio e a empresa quer escolher o momento da mudança, a pressão por upgrade perde força.

É nesse ponto que a frase da analista da IDC vira argumento central para a estratégia por camadas. “As atualizações, migrações e trocas de plataforma para a versão mais recente do software não são necessárias para adotar a IA”. A afirmação resume uma mudança de mentalidade: IA pode ser adicionada ao portfólio sem que o ERP entre, necessariamente, em um projeto amplo de replatforming.

Outra peça desse quebra-cabeça é a arquitetura. O estudo identifica a ascensão de estratégias componíveis, nas quais capacidades são distribuídas em módulos e serviços integráveis, reduzindo o risco de depender de um único fornecedor para cada inovação. A IDC aponta que 72,5% já adotaram uma estratégia de aplicações componíveis para o ERP central e ou outras aplicações. O objetivo é acelerar ciclos, manter sistemas estáveis e conectar agentes de IA com mais flexibilidade.

Essa flexibilidade, porém, não acontece sem disciplina. O relatório reforça que segurança e compatibilidade seguem como prioridades, com ênfase em aplicar patches de segurança rapidamente e manter interoperabilidade com componentes do stack, como sistemas operacionais e navegadores. A mensagem é que integrar IA de terceiros não pode virar uma colcha de retalhos sem governança. Por isso, o documento recomenda investir em interoperabilidade e políticas claras de implantação de IA, medindo ROI em economia, velocidade de inovação, redução de riscos e capacidade de escalar.

No fundo, os dados sugerem que a pergunta deixou de ser “qual ERP comprar” e passou a ser “qual modelo operacional permite inovar mais rápido sem perder controle”. Para parte relevante das organizações, isso significa ampliar o portfólio com agentes e automações externas, estender a vida útil do sistema de registro e evitar que a inovação fique travada por upgrades obrigatórios. 

fonte: IT Forum

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