Brasil vira polo de GenAI da Oracle na América Latina

A inteligência artificial generativa já ultrapassou o estágio de vitrine tecnológica e começa a ocupar um lugar estrutural na rotina das empresas. No Brasil, esse movimento ganha um contorno particular: a combinação entre adoção prática, colaboração com o ecossistema e projetos de alto impacto tem reposicionado o país como um polo de experimentação e entrega de soluções baseadas em GenAI dentro da estratégia da Oracle para a América Latina.

Essa leitura aparece na edição mais recente do estudo ISG Provider Lens Oracle Cloud and Technology Ecosystem 2025 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG. O documento descreve uma evolução de “maturidade e clareza” na atuação da Oracle no país ao longo do último ano, ancorada em três frentes que avançam de forma convergente e ajudam a explicar por que, agora, o debate deixa de ser “se” a GenAI entra na operação e passa a ser “como” ela será executada com controle.

A primeira frente é a consolidação da GenAI no ambiente corporativo, não como promessa, mas como mecanismo integrado aos processos de negócio. O relatório descreve um cenário em que modelos e recursos de automação deixam de atuar apenas como assistentes e passam a operar com autonomia em tarefas críticas. “A IA prediz falhas, recomenda otimizações e executa remediações de forma autônoma. Essa capacidade de atuação autônoma deixou de ser apenas um diferencial tecnológico e passou a influenciar diretamente a estratégia de escolha de parceiros”, explica Cristiane Tarricone, distinguished analyst da TGT ISG e autora do estudo.

Na prática, isso desloca o foco do debate de inovação para a disciplina de execução. A própria análise do relatório amarra essa mudança ao crescimento das exigências de governança. “O desafio agora é executar com segurança, resiliência e atenção máxima à governança e à segurança, elementos que se tornaram indispensáveis na era da Inteligência Artificial Generativa em escala”. O recado é direto: quanto mais a automação ganha poder de agir sozinha, mais a arquitetura, os controles, as políticas e a rastreabilidade passam a determinar a viabilidade do projeto.

O segundo movimento destacado pelo estudo é a inauguração do Oracle Innovation Center em São Paulo, em março de 2025. Para a TGT ISG, o peso do centro não está apenas na abertura do espaço, mas no modelo de colaboração e na forma como ele conecta empresas, parceiros, startups e universidades em torno de testes e validações com dados reais. Segundo a especialista, o centro se diferencia por integrar o OCI e um formato de cooperação que aproxima desenvolvimento, experimentação e aplicação, buscando encurtar a distância entre ideia e operação.

A proposta também mexe com a posição do Brasil dentro da estratégia regional. “Essa iniciativa sinaliza um posicionamento estratégico claro e a aposta da Oracle no Brasil, não apenas como um mercado consumidor, mas também como um centro produtor de inovação para toda a América Latina”, resume a especialista. O centro funciona como ambiente de laboratório aplicado, onde a promessa é permitir que clientes testem hipóteses com seus próprios dados, de forma controlada, antes de escalar. “É um espaço de colaboração onde eles podem usar seus próprios dados reais estruturados, em ambiente seguro e fazendo testes, evoluções e desenvolvendo efetivamente soluções para suas empresas”.

O terceiro eixo do relatório reforça que a narrativa de hub não se sustenta apenas com infraestrutura e discurso, mas com casos mensuráveis. Nesse ponto, o estudo chama atenção para projetos de saúde que saem do campo experimental e entram na lógica de impacto direto. Um exemplo citado é o da Biofy, que desenvolveu uma solução para diagnóstico de infecções bacterianas baseada em sequenciamento genético e busca vetorial em grandes bases de DNA com Oracle IA Database 23ai. O salto de desempenho descrito é expressivo: o tempo de diagnóstico cai de cinco dias para quatro horas.

Mais do que velocidade, o relatório aponta repercussões clínicas e científicas. “As taxas de mortalidade por infecções resistentes nos hospitais participantes foram reduzidas de 70% para 50%, o que representa cerca de duas mil vidas salvas por ano apenas no Brasil. Além do benefício humanitário imediato, o sistema acelera a descoberta de novos antibióticos, reduzindo o ciclo de desenvolvimento de uma década para cerca de dois anos”, comenta a autora. Para além do caso em si, o recado é que GenAI e técnicas de busca em grandes bases passam a redesenhar fluxos onde tempo é variável crítica, do diagnóstico ao P&D.

Em paralelo, o estudo descreve um avanço na verticalização de soluções, com ênfase no setor de saúde, impulsionado por anúncios globais e pelo lançamento de mais de 600 agentes de IA embarcados no Oracle Fusion Applications, sem custo adicional. A análise sugere que, ao inserir agentes diretamente em aplicações de negócio, a estratégia muda o mapa de oportunidades: líderes de diferentes áreas deixam de olhar IA como iniciativa de tecnologia e passam a enxergar automação e apoio inteligente como parte do próprio produto que já utilizam. Para a especialista, esse modelo tende a abrir novas frentes de receita e acelerar a adoção, desde que o valor seja comprovado com disciplina.

A recomendação para as empresas, diante desse cenário, é clara: experimentar com método, em vez de apostar em projetos amplos e difusos. “Isso inclui escopo e orçamento limitados, métricas bem definidas e ciclos curtos de avaliação. Para provar o valor rapidamente, tipo 60, 90 dias, e escalar dentro da empresa”. Ou seja, pilotos estruturados, com critérios objetivos para decidir o que vai adiante e o que deve ser encerrado.

Esse ponto é reforçado pela própria visão de gestão do momento. “Este momento realmente demanda uma ação coordenada, organizada, planejada e uma experimentação disciplinada”, finaliza. Com infraestrutura, casos e portfólio avançando, o relatório coloca a execução como o próximo filtro competitivo, especialmente quando a GenAI deixa de ser “camada de apoio” e passa a atuar dentro do coração do processo.

O estudo ISG Provider Lens Oracle Cloud and Technology Ecosystem 2025 para o Brasil avalia as capacidades de 32 fornecedores em três quadrantes: Professional Services, Managed Services e OCI Solutions and Capabilities. Entre os destaques, Accenture, Deloitte, EBS-IT, Ninecon, V8.Tech e Wipro aparecem como líderes nos três quadrantes. KPMG, Lanlink, Peloton e SkyOne são citadas como líderes em dois quadrantes, enquanto G&P, Kyndryl e PwC figuram como líderes em um quadrante. Além disso, EdgeUOL, Peloton e Service IT foram nomeadas como Rising Stars em um quadrante cada, definidas pela ISG como empresas com “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”.

fonte: Infor Channel

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