Relatório aponta virada no ecossistema Oracle para IA no Brasil

O ecossistema Oracle no Brasil entrou em uma fase descrita como decisiva para projetos de inteligência artificial em escala. Essa é a leitura central de um novo relatório do Information Services Group (ISG), consultoria global de pesquisa em tecnologia, que avalia que organizações com estratégia clara e parceiros capacitados conseguem tirar casos de uso transformadores do papel usando tecnologias e serviços da Oracle. A mudança mais importante, segundo o documento, é a passagem do entusiasmo experimental para iniciativas em produção, com impacto mensurável em produtividade, qualidade das decisões e experiência do cliente.

O estudo, intitulado ISG Provider Lens® Oracle Cloud and Technology Ecosystem 2025 para o Brasil, aponta que empresas brasileiras começam a capturar benefícios de IA e nuvem graças à evolução tecnológica, ao amadurecimento das próprias organizações e à presença de fornecedores que compreendem a transformação digital como um processo contínuo, não como projeto isolado. Em paralelo, a pesquisa reforça que a corrida atual não se resume a adotar modelos de linguagem, mas a extrair valor de dados rapidamente sem abrir mão de controle, segurança e conformidade, uma exigência que pesa ainda mais em setores regulados e em operações de missão crítica.

“O sucesso na atual revolução tecnológica significa alcançar resultados tangíveis em menos de 12 meses”, disse Bill Huber, sócio de Transformação Digital e Otimização de Custos da ISG. “O ecossistema da Oracle ajudou empresas brasileiras a migrarem de experimentos com IA para implementações em produção que melhoram a produtividade, a qualidade das decisões e a experiência do cliente.”

Infraestrutura local, serviços novos e laboratório de validação

O relatório também conecta esse avanço a uma presença crescente da Oracle no país, que teria contribuído para posicionar o Brasil como polo regional de inovação. Entre os marcos citados estão a operação de data centers da Oracle Cloud Infrastructure (OCI) em São Paulo e Vinhedo, além do lançamento de serviços de IoT e do Oracle Database@Google Cloud, iniciativa que permite implantar serviços de banco de dados Oracle em data centers do Google Cloud. A lógica por trás dessas movimentações é reduzir fricção de adoção, ampliar opções arquiteturais e facilitar o caminho de empresas que precisam conciliar modernização com ambientes legados.

Outro elemento destacado é a abertura de um Oracle Innovation Lab em São Paulo em 2025, descrito como um espaço onde empresas, parceiros e instituições acadêmicas podem desenvolver e validar soluções baseadas em IA. Em projetos corporativos, esse tipo de ambiente tende a ter papel estratégico: acelera provas de conceito, reduz riscos de implementação e ajuda a transformar ideias em entregas com governança, especialmente quando há múltiplos times envolvidos e requisitos rígidos de segurança e compliance.

Base instalada e comunidade técnica como aceleradores

Segundo o ISG, o Brasil reúne condições específicas que favorecem a adoção de IA dentro do ecossistema Oracle: uma comunidade técnica qualificada e uma grande base instalada de plataformas como ERP e Human Capital Management (HCM). Esse ponto é relevante porque a IA corporativa ganha tração quando se integra aos sistemas onde dados e processos já vivem. Quanto maior a base, maior o potencial de escalar ganhos, desde que exista capacidade para integrar, ajustar processos e medir resultados.

O relatório menciona ainda um exemplo de uso de IA baseada em tecnologia Oracle no país: uma solução de diagnóstico de infecções bacterianas desenvolvida pela startup Biofy. De acordo com o texto, o sistema combina sequenciamento genético e busca por vetores para identificar bactérias e mutações emergentes em horas, em vez de dias, ajudando médicos a prescrever antibióticos mais rapidamente e contribuindo para o desenvolvimento de novos antibióticos com apoio de IA.

O que muda na relação com fornecedores e como contratar melhor

Um dos trechos mais práticos do relatório está nas recomendações sobre como estruturar parcerias de IA com fornecedores do ecossistema. O ISG afirma que empresas devem apresentar requisitos técnicos detalhados e critérios mensuráveis, além de exigir compromissos de nível de serviço que vão além da disponibilidade tradicional do sistema. O documento também sugere negociar contratos que garantam portabilidade tecnológica para reduzir dependência de um único fornecedor, tema que ganhou peso na era da IA, quando dados, modelos, integrações e custos de operação podem criar aprisionamento técnico e comercial.

Para projetos-piloto, a recomendação segue uma lógica de foco: escopo e duração limitados, metas claras e acordadas previamente, com critérios objetivos de melhoria. Essa abordagem tenta evitar o risco mais comum de iniciativas de IA: pilotos que não evoluem por falta de definição de valor, de dono do processo e de condições para escalar.

“A oportunidade de transformar as operações empresariais e avançar significativamente nos objetivos de negócios por meio da IA exige ações rápidas e estratégicas”, disse Cristiane Tarricone, autora principal do relatório. “O ecossistema da Oracle no Brasil está ajudando as empresas a aproveitar esse potencial.”

GPU, FinOps e serviços gerenciados entram no centro do jogo

Além de mapear parceiros e tendências, o relatório chama atenção para o crescimento rápido do consumo de GPUs e para a demanda por FinOps e outros serviços gerenciados. Esse ponto ajuda a explicar por que a discussão de IA em escala deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser operacional e financeira. Modelos de IA intensivos em computação elevam custos e exigem disciplina para dimensionar recursos, controlar desperdícios e manter previsibilidade orçamentária. Por isso, práticas de FinOps e gestão contínua de ambientes em nuvem tendem a caminhar junto com a maturidade da adoção.

No recorte do mercado de serviços, o estudo avalia 32 fornecedores em três quadrantes, Professional Services, Managed Services e OCI Solutions and Capabilities, e lista empresas classificadas como líderes e rising stars. A mensagem, no entanto, vai além do ranking: para capturar valor em menos de 12 meses, como defende o próprio relatório, a escolha de parceiro, a definição de métricas e a arquitetura de contratos podem ser tão importantes quanto a seleção do modelo de IA.

fonte: Estado de Minas

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