O Brasil passou a reunir um conjunto de condições que o coloca, com mais frequência, no centro das decisões globais de instalação de data centers. Em um mercado pressionado pelo crescimento acelerado de cargas de trabalho de inteligência artificial, computação em nuvem e big data, a equação deixou de ser apenas “onde há demanda”. Hoje, entram na conta disponibilidade e custo de energia, conectividade internacional, redundância de rede, risco geopolítico e previsibilidade regulatória. E, nesse mapa, o país aparece como um candidato cada vez mais competitivo para se firmar como hub digital regional.
A avaliação é da Arqia, empresa de soluções de conectividade e infraestrutura IoT no Brasil, parte do grupo Wireless Logic, que acompanha a expansão da infraestrutura tecnológica nacional. Para a companhia, a combinação entre matriz energética majoritariamente renovável, posição geográfica estratégica no Atlântico Sul e estabilidade geopolítica cria um cenário favorável para atrair novos investimentos em data centers, especialmente em um momento em que projetos de expansão precisam atender metas de eficiência e compromissos ESG, ao mesmo tempo em que garantem baixa latência e continuidade operacional.
“A Arqia tem acompanhado esse avanço de perto, integrando projetos de Conectividade e IoT que sustentam o crescimento de Data Centers, cidades inteligentes e ecossistemas digitais em todo o País. Para a empresa, o movimento evidencia a importância de um planejamento digital de longo prazo, com foco em eficiência, sustentabilidade, proteção da propriedade de Dados e Segurança destes Dados”, destaca Daniel Tibor Fuchs, diretor de Inovação da Arqia.
Energia limpa como vantagem competitiva
Entre os diferenciais apontados, a matriz energética brasileira se destaca como um dos principais argumentos de atração. O texto menciona que cerca de 86% da eletricidade nacional vem de fontes renováveis, incluindo hidrelétrica, solar e eólica. Para data centers, esse fator tem peso direto por dois motivos: custo e reputação. Energia é uma das maiores parcelas do OPEX desse tipo de operação e, ao mesmo tempo, é um dos indicadores mais observados por investidores e clientes que exigem metas ambientais mais rigorosas.
Em um setor que cresce na mesma velocidade em que aumenta a pressão por eficiência energética, operar em um país com alta participação de renováveis pode reduzir barreiras para novos projetos, facilitar financiamentos e reforçar argumentos de sustentabilidade junto a mercados internacionais. Não por acaso, a pauta ESG deixou de ser narrativa e passou a ser requisito em decisões de investimento e de contratação de serviços.
Conectividade internacional e o papel de Fortaleza
Outro eixo do posicionamento brasileiro é a conectividade. O país é descrito como um dos principais hubs do Atlântico Sul, com cabos submarinos intercontinentais conectando o território à África, Europa e América do Norte. Fortaleza (CE) aparece como ponto central dessa infraestrutura, reconhecida como um dos maiores polos de interconexão de dados do Hemisfério Sul, com mais de 15 cabos internacionais ativos, incluindo o South Atlantic Cable System (SACS) e o South Atlantic Inter Link (SAIL).
Na prática, essa malha amplia redundância e reduz latência, dois atributos críticos para operações que servem grandes volumes de tráfego e aplicações sensíveis a tempo de resposta, como streaming, e-commerce, pagamentos e, cada vez mais, inferência de IA em tempo real. Para empresas que operam em múltiplas regiões, estar próximo de rotas internacionais robustas ajuda a desenhar arquiteturas mais resilientes e eficientes.
O texto também estabelece um contraste com regiões marcadas por instabilidade, citando que conflitos recentes no Oriente Médio impactaram o tráfego global com rompimento de cabos submarinos. Nesse contexto, a estabilidade institucional e a segurança jurídica brasileiras entram como elementos adicionais para empresas que priorizam continuidade operacional e proteção de infraestrutura crítica.
Capacidade instalada e projeções de expansão
Os números indicam um mercado em expansão. Ainda no primeiro semestre, o Brasil deve atingir 815 MW de capacidade instalada em data centers, com adição prevista de 220 MW ao longo do ano, crescimento estimado em cerca de 37% sobre o estoque anterior. No recorte regional, o país responde por aproximadamente 83% da capacidade de data centers da América Latina, reforçando o papel de “porta de entrada” para serviços digitais em escala continental.
As projeções mais longas ampliam o tamanho da ambição. “Com projeções que apontam para até 500 Data Centers em operação no Brasil nos próximos 10 a 12 anos, associadas a uma demanda energética estimada em 2,5 GW, o País está desenhando um cenário muito favorável para quem quer liderar no mundo digital, e a Arqia está pronta para ser parte ativa dessa transformação”, explicou o executivo. .
Além da expansão física, o texto menciona levantamentos da GlobalData e Gartner que estimam que o mercado brasileiro de infraestrutura digital deve ultrapassar US$ 3,2 bilhões até o fim de 2025, com crescimento acumulado superior a 70% em relação a 2020. A leitura é que esse movimento é puxado por grandes corporações globais, como Google, Microsoft, Amazon e Huawei, que enxergam no Brasil uma base estratégica para atender à demanda crescente por serviços em nuvem em toda a América Latina.
O fator regulatório e a “autoridade dos dados”
No fim, a discussão chega a um ponto sensível para a próxima etapa de consolidação: regras sobre dados e soberania. “Se o governo Brasileiro emplacar uma legislação onde a autoridade dos dados se vincula com o País com o qual o Datacenter está conectado (no caso de Data Centers não conectados com a Internet Brasileira), então as possibilidades são infinitas”, concluiu Fuchs.
A frase evidencia como o ambiente regulatório pode acelerar ou travar investimentos. Em um setor que envolve infraestrutura crítica e dados sensíveis, previsibilidade e clareza jurídica influenciam diretamente decisões de localização, desenho de arquitetura e estratégia de expansão. Para o Brasil consolidar a vantagem técnica e geográfica, a governança de dados, a segurança e a estabilidade regulatória tendem a ser tão decisivas quanto energia e conectividade.
fonte: Infor Channel
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