Xeque-mate digital: como o Google moldou a internet

Ao longo de quase três décadas, o Google não apenas acompanhou a transformação da internet,  ele liderou essa transformação. Como em uma partida de xadrez de altíssimo nível, a big tech executou movimentos precisos que mudaram o rumo da web, neutralizaram concorrentes poderosos e redefiniram o que significa estar online. A história, contada no programa Tech Riders, revela como três jogadas principais levaram o Google ao centro da experiência digital global.

  1. Ataque indireto: vencer sem enfrentar diretamente

Em 2004, a Microsoft ainda era quem mandava no acesso à internet, graças ao domínio do Windows como sistema operacional. O Google, que já era rei das buscas, precisava driblar essa dependência. Mas, ao invés de criar um sistema para competir com o Windows, adotou uma abordagem ousada: tornar o sistema operacional irrelevante.

A jogada? Lançar um “escudo” de aplicativos baseados na nuvem: Gmail, Google Maps e Google Docs. Assim, os usuários passaram a viver cada vez mais dentro do navegador, e não importava mais o sistema por baixo. A web tornou-se a nova plataforma universal.

“Se elas vivem no navegador, tanto faz o sistema operacional que está rodando por baixo”, explica o analista Pedro Carvalho. Era o começo da web 2.0 colaborativa, interativa e descentralizada.

  1. Aquisições que abriram novos mundos: YouTube e Android

A segunda jogada foi dominar o que viria depois. Em 2006, o Google adquiriu o YouTube por US$ 1,65 bilhão, uma das maiores jogadas estratégicas da história da tecnologia. A plataforma, ainda incipiente, trazia um diferencial poderoso: o recurso de incorporação de vídeos em sites e blogs, o que a fez crescer exponencialmente.

Mais do que dominar vídeos, o YouTube se tornou fonte essencial de dados, base fundamental para o desenvolvimento da atual inteligência artificial generativa.

Na sequência, veio a “pechincha histórica”: o Google comprou a empresa por trás do Android e distribuiu o sistema operacional gratuitamente. Ao permitir que fabricantes como Samsung e Motorola usassem seu sistema, o Google garantiu algo essencial: manter o seu motor de busca no bolso de bilhões de pessoas, não importando quem fizesse o hardware.

Com essas duas aquisições, a empresa consolidava seu domínio sobre conteúdo e mobilidade, antecipando a era da internet onipresente.

  1. O xeque-mate: Chrome e o controle do portal de entrada

O terceiro movimento selou o destino: em resposta ao lançamento do Bing pela Microsoft, o Google ativou um projeto secreto iniciado em 2001: o navegador Google Chrome. Rápido, leve, aberto e pronto para assumir o comando da web.

“Eles não precisavam mais pedir permissão para ninguém. Eles eram os donos do portal”, resume Carvalho. Ao abrir o código-fonte, garantiram que o padrão da internet se basearia na tecnologia do Chrome. O Google passou a controlar a entrada, o caminho e o destino da experiência digital.

A era da IA e o novo dilema: reinventar ou ser ultrapassado

Em 2015, o Google se tornou parte do conglomerado Alphabet, sinalizando uma nova etapa. Com dados globais, infraestrutura robusta e alguns dos maiores talentos do mundo, a empresa pavimentou o caminho da inteligência artificial generativa.

Mas foi justamente aí que surgiu o dilema: enquanto hesitava em lançar a tecnologia, temendo comprometer seu negócio principal (a busca), a OpenAI correu na frente com o lançamento do ChatGPT.

Agora, o jogo muda mais uma vez. A empresa que moldou o presente digital precisa mostrar que ainda pode liderar o futuro. O próximo movimento será decisivo.

fonte: Money Times

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