A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa e se firmou como uma das tecnologias mais aplicadas no mundo corporativo, inclusive no meio jurídico. No entanto, o entusiasmo que impulsiona essa adoção em larga escala pode se transformar em exposição jurídica e reputacional caso faltem governança sólida, supervisão humana e base legal consistente.
De acordo com o IBM Institute for Business Value, apenas 25% dos CEOs afirmam ter alcançado o ROI esperado em projetos de IA. O dado acende um alerta claro: o que falta não é tecnologia, mas estrutura para aplicá-la com segurança e propósito.
O jurídico como arquiteto da inovação responsável
O Marco Civil da Internet, a LGPD e a resolução 332/20 do CNJ já estabelecem diretrizes essenciais para o uso ético e legal da IA no Brasil. Sem trilhas de auditoria, critérios de curadoria e previsões contratuais específicas, os riscos vão muito além do mau funcionamento técnico: envolvem responsabilização objetiva, violações de direitos da personalidade, vieses algorítmicos e litígios de alto impacto.
Nesse contexto, o jurídico deixa de ser apenas uma instância de validação e passa a atuar como estrategista e orquestrador da governança tecnológica. É ele quem deve garantir que contratos de tecnologia contenham cláusulas específicas sobre:
- Supervisão humana obrigatória
- Rastreamento e auditoria de decisões automatizadas
- Direito de revisão técnica
- Protocolos claros de gestão de incidentes
Contratos sem governança algorítmica são riscos disfarçados de inovação.
A base da confiança está nos dados e nas pessoas
Projetos de IA muitas vezes falham por um motivo clássico: desalinhamento entre a tecnologia contratada e os objetivos do negócio. A ausência de conexão entre sistemas de IA e SLAs, metas contratuais ou indicadores de desempenho leva a promessas que não se sustentam, e que se tornam passivos jurídicos.
Além disso, o uso de bases de dados sem curadoria ou extraídas de forma inadequada pode resultar em sanções da ANPD e danos reputacionais. A LGPD, em seu artigo 20, garante aos titulares o direito à revisão de decisões automatizadas, exigindo das empresas trilhas de explicabilidade e validação humana.
No exterior, o AI Act da União Europeia reforça essa tendência, impondo obrigações de acordo com o risco do uso de IA e exigindo supervisão humana, documentação técnica e auditoria constante. Empresas globais ou conectadas ao mercado europeu já devem se adaptar.
Compliance técnico: frameworks e comitês de governança
A maturidade jurídica para lidar com IA exige a adoção de frameworks robustos, como:
- AI Risk Management Framework (NIST)
- Normas ISO/IEC 23894 e 42001
Esses modelos abordam todo o ciclo de vida da IA: planejamento, avaliação de riscos, mitigação de vieses, monitoramento e melhoria contínua. Além disso, a formação de comitês interdisciplinares de governança de IA, integrando jurídico, TI, compliance e negócios, já é considerada uma boa prática no cenário internacional.
A supervisão humana: elo entre eficiência e ética
A automação é poderosa, mas não substitui o julgamento humano. Em decisões sensíveis, como crédito, precificação, seleção de talentos ou atendimento ao cliente, é o discernimento humano que evita injustiças e garante conformidade com princípios como dignidade, não discriminação e proporcionalidade.
Erros não monitorados podem levar a ações judiciais, penalizações regulatórias e perda de confiança de stakeholders.
A advocacia do futuro é estratégica, não automatizada.
Mais do que operar ferramentas, o jurídico deve assumir a liderança na construção de um ecossistema de inovação com responsabilidade. O hype passa. A maturidade permanece.
fonte: Migalhas
Acesse as verticais Revna a seguir, para obter mais detalhes:
Serviços: Auditoria de Software / Assessment de TI
Soluções: Inteligência Artificial / Business Analytics