No ambiente corporativo atual, onde agilidade e dados são ativos de valor inegociável, surpreende que ainda existam resistências à adoção estratégica de ERPs (Enterprise Resource Planning). Embora essas plataformas tenham evoluído significativamente, especialmente com a chegada da nuvem e das metodologias ágeis, muitos gestores ainda enxergam o ERP com base em percepções defasadas, o que freia decisões cruciais para a inovação e o crescimento.
De acordo com Guilherme Sallati, Diretor de Operações da Upper, consultoria especializada em SAP Business One, é fundamental que as lideranças empresariais saibam distinguir mito de realidade quando se trata de ERPs. “O uso de metodologias ágeis e de tecnologias em nuvem tem transformado o cenário, permitindo implantações mais rápidas, com prazos reduzidos e custos mais previsíveis”, explica.
Entre os principais mitos, um dos mais persistentes é o de que ERPs são soluções exclusivas para grandes corporações. A realidade, no entanto, é outra. Soluções modulares, escaláveis e com modelos de contratação acessíveis já são uma realidade também para pequenas e médias empresas. Dados de estudos da Kearney e da Rimini Street mostram que a adoção ocorre em empresas de todos os portes e setores, adaptando-se à maturidade tecnológica de cada organização.
Outro equívoco comum é o receio de que ERPs engessem a operação. Contudo, o cenário real aponta o oposto: 47% das empresas consideram seus sistemas de gestão como estratégicos e decisivos para o negócio. Através da integração de áreas, automação de processos e suporte à tomada de decisão orientada por dados, os ERPs estão se consolidando como pilares para competitividade.
Além disso, a percepção de que os projetos de ERP são longos e custosos está atrelada a uma realidade passada. Segundo pesquisas, 72% dos sistemas em uso foram implantados antes de 2017, quando metodologias ágeis e soluções em nuvem ainda não estavam amplamente disponíveis. Hoje, o mercado já oferece ferramentas com implantação acelerada, menores custos iniciais e fácil escalabilidade.
E não faltam motivos para acelerar essa jornada. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de ERPs deve ultrapassar os US$ 100 bilhões até 2029, com um crescimento médio anual de 9,7%. No Brasil, esse movimento se reflete em um mercado altamente concentrado, onde poucos fornecedores dominam cerca de 77% das implementações, conforme a FGV. Ainda assim, 33,31% das empresas já planejam adquirir ou substituir seus ERPs até 2026, sinalizando um novo ciclo de modernização.
Sallati reforça que o ponto-chave está na mudança de visão. “Ao compreender que a tecnologia está mais acessível, flexível e rápida de implementar, as organizações passam a vê-la como um instrumento essencial para eficiência e crescimento”, conclui.
É hora de reavaliar o papel do ERP dentro da estratégia do negócio. A nova geração dessas ferramentas não apenas sustenta processos, mas impulsiona decisões inteligentes, com dados, integração e velocidade. Quem ainda associa ERP a burocracia está, na prática, abrindo mão de um diferencial competitivo cada vez mais determinante.
fonte: Estado de Minas
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