A fase de experimentação com a inteligência artificial generativa está chegando ao fim, dando lugar a uma era de infraestrutura crítica e maturidade operacional. De acordo com projeções globais, o setor deve movimentar mais de US$ 300 bilhões em 2026, impulsionado por uma mudança de paradigma nas corporações. O que antes eram testes pontuais agora se transforma na reescrita completa de processos internos, visando eficiência estratégica e retorno sobre investimento imediato.
Um dos principais pilares dessa evolução é o surgimento dos agentes de IA. Diferente dos copilotos que auxiliam em tarefas simples, esses novos sistemas possuem autonomia para executar fluxos de trabalho do início ao fim. Segundo Neylson Crepalde, especialista da AWS e professor da XP Educação, essa mudança é um ponto de inflexão fundamental. "Estamos entrando na fase em que os modelos deixam de ser apenas sistemas que respondem perguntas para se tornarem colaboradores digitais. Os agentes de IA conseguem planejar, executar e revisar tarefas de ponta a ponta e isso muda a lógica de eficiência dentro das empresas", afirma o especialista.
Outro avanço técnico significativo para o período é o GraphRAG. Essa metodologia combina o processamento de linguagem natural com estruturas de grafos, permitindo que a IA entenda contextos e relações complexas entre dados corporativos de forma muito mais precisa. Crepalde ressalta que "a grande limitação dos modelos generativos sempre foi a dificuldade de entender relações profundas entre informações. O GraphRAG resolve isso. Ele permite que a IA navegue em estruturas complexas, conecte pontos e entregue respostas muito mais precisas. Para bases corporativas grandes, é um divisor de águas".
No campo da especialização, a tendência aponta para o uso de modelos menores e mais eficientes, refinados via fine tuning e model distillation. Essa abordagem busca reduzir custos operacionais e facilitar a auditabilidade, algo essencial em setores regulados. Paralelamente, a governança de IA torna-se prioridade máxima. Com a autonomia dos sistemas, cresce a necessidade de observabilidade, garantindo que as decisões tomadas pelas máquinas sejam rastreáveis e seguras.
Essa transformação tecnológica redefine também o mercado de trabalho. Carreiras como AI Engineer, especialistas em compliance e analistas de governança de TI ganham destaque e valorização salarial. João Faria, executivo da Oracle e coordenador na XP Educação, enfatiza que o mercado buscará profissionais com perfis versáteis. "O profissional do futuro não será apenas técnico ou apenas estratégico. Ele será híbrido. E essa combinação de visão de produto, habilidade analítica e domínio do funcionamento dos modelos é o que vai separar quem lidera das funções que vão desaparecer", projeta Faria.
Diferente de ondas tecnológicas anteriores, a IA em 2026 será cobrada por resultados mensuráveis. A eficiência operacional e a economia de recursos serão as métricas de sucesso. Como aponta Crepalde, "a grande vantagem das soluções de IA é que o retorno tende a aparecer mais rápido. Diferente de projetos estruturais longos, é possível medir ganhos de eficiência, redução de custo e aumento de produtividade em ciclos muito mais curtos".
fonte: infomoney
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