Empresas reagem à migração da SAP com autonomia e inovação

Estudo mostra que companhias buscam modelos híbridos e multivendor para modernizar seus ERPs e evitar dependência do ecossistema da fornecedora

A pressão crescente da SAP para que seus clientes migrem para o S/4HANA em nuvem está provocando um movimento estratégico em sentido contrário. Em vez de seguir o caminho imposto, as empresas estão redirecionando suas decisões para manter a autonomia tecnológica, controlar custos e buscar inovações fora do ecossistema da fornecedora. É o que revela o estudo 2025 Plotting your course to future success with SAP, realizado pela Freeform Dynamics em parceria com a Rimini Street.

Segundo o levantamento, realizado com 455 organizações em 11 países, apenas 17% dos entrevistados dizem compreender plenamente as regras e prazos da migração para o S/4HANA. Já 84% demonstram preocupação com a comunicação inconsistente da SAP e com as mudanças frequentes de diretrizes. O modelo de software como serviço (SaaS), embora amplamente aceito no mercado, levanta dúvidas quando aplicado pela fornecedora alemã.

Mais de 90% das empresas consultadas relataram incertezas quanto ao custo total da operação e ao risco de vendor lock-in, a dependência de um único fornecedor. Em resposta, muitas organizações estão explorando alternativas externas para inovação e suporte, criando arquiteturas mais abertas, flexíveis e sustentáveis.

O ERP deixa de ser o único centro de inovação

Apesar de reconhecerem o potencial inovador da SAP, a maioria das empresas adota uma postura cautelosa, aguardando comprovação de ROI na prática. Entre aquelas que ainda operam com o sistema ECC, 29% afirmam que não buscam mais inovação diretamente junto à SAP, preferindo soluções externas de inteligência artificial, automação e analytics. A pesquisa mostra que 78% pretendem adotar tecnologias de múltiplos fornecedores para complementar seus ambientes ERP.

Esse movimento confirma a transição de uma era em que o ERP era o único centro de inovação tecnológica para uma realidade mais dinâmica, em que diferentes plataformas atuam em conjunto por meio de arquiteturas composáveis.

Composability, suporte independente e ganhos concretos

A busca por composability é clara: 83% das empresas veem valor na integração de componentes de fornecedores diversos, acelerando o acesso a tecnologias emergentes. O suporte independente também ganhou espaço e aprovação: 94% dos entrevistados avaliam positivamente o modelo, com 80% destacando a redução de custos e 79% ressaltando a liberdade em relação a cronogramas impostos pela SAP.

O estudo revela que empresas que adotam essas abordagens registram desempenho acima da média em 83% dos casos, contra apenas 27% entre aquelas que mantêm o modelo tradicional. Ou seja, inovar fora do ecossistema da fornecedora não é apenas viável, é mais eficaz.

Transformando a pressão em estratégia

Mais da metade das empresas (49%) não pretende operar o S/4HANA em nuvem nos próximos cinco anos. Além disso, 23% planejam manter o ECC on-premises com o apoio de parceiros independentes. Segundo o relatório, essas decisões refletem uma mudança estrutural na relação fornecedor-cliente, com adoção de modelos híbridos, composáveis e multivendor.

“O estudo mostra que as organizações estão transformando a pressão da SAP em uma oportunidade de ampliar sua autonomia tecnológica e direcionar investimentos para inovação”, aponta a análise da Freeform Dynamics.

fonte: IP News

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