Gastos globais com IA devem ultrapassar US$ 2,8 trilhões até 2029

Relatório do Citigroup revela corrida bilionária das big techs por infraestrutura e poder computacional para sustentar a nova era da inteligência artificial

A revolução da inteligência artificial (IA) está moldando um dos maiores ciclos de investimento da história da tecnologia. Segundo novo relatório do Citigroup, os gastos globais com IA devem ultrapassar US$ 2,8 trilhões até 2029, superando em meio trilhão a estimativa anterior, que era de US$ 2,3 trilhões. A previsão reforça que o mundo corporativo está em plena corrida para construir a infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA generativa e corporativa.

O relatório, publicado pela Reuters, aponta que as big techs estão adotando estratégias cada vez mais agressivas, com foco na expansão de data centers, redes de energia e poder computacional. O movimento é liderado por gigantes como Microsoft, Amazon e Alphabet (Google), que anunciaram projetos bilionários para atender à crescente demanda de processamento de IA.

A corrida pelo poder computacional

De acordo com o Citigroup, o mundo precisará de 55 gigawatts adicionais de capacidade energética até 2030 apenas para sustentar os sistemas de IA, um número que revela a magnitude da infraestrutura que está sendo construída. Essa expansão é impulsionada não apenas pela corrida entre as big techs, mas também pela necessidade de empresas de diversos setores de incorporar modelos de IA em seus negócios, desde finanças e varejo até manufatura e saúde.

O boom da IA, que começou com o sucesso de ferramentas como o ChatGPT e Gemini, mostra sinais de aceleração. Para os analistas, os resultados financeiros do terceiro trimestre serão decisivos para medir o ritmo dos investimentos e o grau de comprometimento das companhias com a revolução inteligente.

O outro lado da moeda: o endividamento crescente

Apesar do otimismo em torno dos retornos futuros, o relatório alerta para um fator de risco: o endividamento das gigantes da tecnologia. Segundo o Citigroup, os lucros atuais das big techs já não são suficientes para financiar sozinhos os projetos de infraestrutura de IA. Como consequência, muitas empresas estão recorrendo a empréstimos para acelerar a construção de data centers e o desenvolvimento de novos modelos de IA.

Essa estratégia levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira de longo prazo do setor. Com margens cada vez mais pressionadas e custos de energia em alta, analistas avaliam que o equilíbrio entre inovação e rentabilidade será um dos principais desafios da década.

O novo eixo da transformação digital

Mais do que uma tendência, o investimento trilionário em IA representa a consolidação de uma nova infraestrutura global de inovação. A expansão dos data centers, aliada a tecnologias emergentes como machine learning, computação em nuvem e automação inteligente, está redesenhando o ecossistema corporativo e definindo quais empresas liderarão a próxima era digital.

O que está em curso é mais do que uma corrida tecnológica; é uma disputa por protagonismo na economia de dados e inteligência. E nessa disputa, cada terabyte, cada gigawatt e cada modelo treinado representam um passo na direção do futuro.

fonte: Olhar Digital

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