Enquanto muitas entrevistas de emprego se concentram em diplomas, certificações ou métricas de desempenho, Corinne Sklar — vice-presidente e diretora administrativa da Salesforce na IBM — aposta em uma única pergunta capaz de revelar algo que currículos raramente mostram: o espírito empreendedor.
“A única pergunta que sempre fiz às pessoas, literalmente por 20 anos, foi: me conte como você ganhou dinheiro pela primeira vez?”, contou Sklar em entrevista ao Business Insider.
A questão, aparentemente simples, é um filtro de mentalidade. Para a executiva, a resposta mostra se o candidato está acostumado a agir sem depender de um emprego formal ou de uma autorização prévia. “Procuro pessoas que não pedem permissão, que vão e fazem. Que conduzem a estratégia da empresa em vez de apenas segui-la”, explica.
Empreender começa antes do cargo
O método reflete a própria trajetória de Sklar. Aos sete anos, ela desenhava e vendia marcadores de Halloween por 25 centavos. Quando uma cliente reclamou da qualidade da cartolina, a pequena empreendedora reagiu: passou a oferecer plastificação por 50 centavos. “Eu sempre quis ser uma empresária”, recorda. “E sempre fui uma empreendedora independente. Meu pai era empreendedor.”
A executiva acredita que esse tipo de raciocínio — identificar falhas, agir rápido e agregar valor — continua sendo o verdadeiro diferencial competitivo, mesmo com o avanço da inteligência artificial. Segundo ela, a iniciativa individual e a habilidade de resolver problemas sem depender de instruções diretas são competências que as empresas modernas mais precisam.
A autonomia como vantagem em tempos de IA
Jayesh Govindarajan, líder de IA da Salesforce, reforça essa visão. Em entrevista à mesma publicação, ele destacou que a autonomia é “muito mais importante” do que saber programar — uma habilidade que já foi considerada indispensável no setor de tecnologia. “A capacidade de enxergar problemas, fazer perguntas e buscar soluções criativas será o que definirá os profissionais de destaque no futuro”, afirmou.
Sklar acrescenta outro conselho que traduz seu estilo de liderança: “pegar o telefone”. Mesmo em uma era dominada por plataformas digitais e algoritmos, ela acredita que a comunicação direta continua sendo um dos maiores trunfos para navegar nas dinâmicas políticas e culturais do ambiente corporativo.
Cultura de iniciativa e inovação
A perspectiva da executiva da IBM ecoa uma tendência mais ampla no mercado de tecnologia: a valorização da mentalidade empreendedora como pilar de inovação. Em empresas de grande porte, esse comportamento é o que diferencia colaboradores que apenas executam de profissionais que criam caminhos novos, experimentam e impulsionam mudanças.
Identificar esse perfil logo na entrevista é, para Sklar, um investimento estratégico. Afinal, em um ambiente em que a automação é crescente, a capacidade de agir com autonomia, propósito e criatividade se torna o verdadeiro código-fonte da inovação.
fonte: Revista PEGN
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