O Google Cloud abriu 2025 com um recado claro ao ecossistema de tecnologia e negócios brasileiro: IA como eixo da estratégia, infraestrutura local para dar conta do salto de performance e uma rede mais densa de parcerias para acelerar a adoção em setores público e privado. Em seu maior Summit no Brasil, com a presença do CEO Thomas Kurian, a companhia sublinhou a ambição de longo prazo no país, conectando lançamentos de produto, expansão de data center e iniciativas de capacitação a histórias concretas de transformação.
A mensagem central sintetiza a tese de que a nuvem corporativa precisa ser, desde já, “a mais preparada para a era da IA”. A empresa afirma que essa vantagem competitiva está ancorada em uma plataforma ponta a ponta, que leva às organizações o que o próprio Google amadureceu em mais de uma década de pesquisa. Essa visão aparece em camadas: do Workspace à infraestrutura e segurança, passando por Vertex AI, Agentspace e Gemini, com uma arquitetura que, segundo a companhia, equilibra abertura, flexibilidade e governança. O objetivo é viabilizar a integração contínua dos “mais recentes avanços de IA” às ferramentas diárias de trabalho, aumentando produtividade e qualidade da decisão.
Os casos apresentados durante o evento dão materialidade à tese. A Casas Bahia, por exemplo, criou a Bah.IA sobre o Vertex AI para sugerir produtos e personalizar abordagens de atendimento, reduzindo o tempo de espera em até 50% e acelerando em 30% a resolução de dúvidas. A Dasa centralizou um vasto acervo de imagens médicas e vem treinando modelos para apoiar diagnósticos. Na infraestrutura crítica, a Eletrobras adota o WeatherNext, modelo avançado do Google DeepMind para prever padrões climáticos que impactam geração e rede. Há destaque também para o uso de Gemini 2.5 pela Eneva, em parceria com a Accenture, turbinando decisões operacionais a partir de dados. Em mídia e varejo, a Globo explora IA generativa para reconstruir imagens históricas e produzir um podcast esportivo diário; o Grupo Boticário usa IA para rotinas internas e localização de lojas com cobertura de 99% do território; o Grupo SBF leva busca conversacional ao e-commerce com Gemini; e a Hering aposta em provador virtual com IA. No universo jurídico, o Jusbrasil lançou o Jus IA no Google Cloud, assistente que responde com base em um grande acervo jurídico. Já no setor público, a Receita Federal automatiza a inspeção de bagagens no Aeroporto de Guarulhos com Gemini, identificando itens suspeitos em tempo real.
A vitrine de agentes de IA ganhou um capítulo próprio com o Agentspace, ambiente governado para criar, orquestrar e escalar agentes com base no Gemini, integrando busca, síntese e ação sobre dados corporativos. Os primeiros resultados incluem o Grupo Marista, que reduziu análises de faturamento de semanas para horas, a Rede Américas, com automação de análise contratual em 25 hospitais e corte estimado de 80% no esforço manual, e a Vibra Energia, que dissemina a construção de agentes pelos próprios times. Em linha com um estudo conduzido pelo Google Cloud, “62% dos líderes brasileiros indicaram que estão atualmente aproveitando agentes em toda sua empresa”, sinalizando que a discussão já saiu do piloto para o core de processos.
O movimento avança também no setor público e educacional. Ancorado no Agentspace, o Gemini for Government promete acelerar o uso de IA com padrões reforçados de segurança e recursos como o NotebookLM. Para universidades, o Gemini for Education integra modelos premium de IA ao Google Workspace for Education, com proteção de dados aprimorada. A mesma lógica de IA embedada chega à colaboração: o Google Meet passa a testar em Alpha a Tradução Simultânea com preservação de voz, tom e expressão, mirando empresas brasileiras com atuação global.
No plano dos desenvolvedores, a companhia leva IA à linha de comando com extensões do Gemini CLI para automação de implantação e verificação de segurança, e atualiza o Firebase para encurtar ciclos de desenvolvimento de apps com IA. Na infraestrutura, o anúncio mais simbólico é a chegada, pela primeira vez na região de São Paulo, das TPUs Trillium (v6e), com “4x mais desempenho de pico e um aumento de 67% na eficiência energética” frente à geração anterior. O objetivo é suportar cargas de IA com menor latência e custo energético mais competitivo.
A estratégia de soberania de dados e baixa latência também ganhou reforços. A partir de novembro, será possível usar o Gemini 2.5 Flash diretamente no Vertex AI na região de São Paulo, com armazenamento em repouso e processamento de machine learning no Brasil. Para clientes com requisitos extremos de controle, o Gemini chega ao Google Distributed Cloud (GDC), permitindo operar os modelos no próprio data center do cliente sob uma nuvem local gerenciada pelo Google. O ecossistema de tecnologia se amplia com Databricks já disponível na região, Oracle Database@Google Cloud chegando nos próximos meses e ServiceNow expandindo sua plataforma de IA para a infraestrutura soberana local.
Ao mesmo tempo, a empresa investe em capilaridade e formação. O Google Cloud Space em São Paulo, primeiro da América Latina, vira polo de cocriação e aceleração de projetos, enquanto o Google Cloud for Startup Hub expande-se para Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Salvador. Em novembro, o Summit itinerante percorre Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife. Nas parcerias estratégicas, Accenture, Deloitte, PwC e TCS anunciam novos centros e estruturas dedicadas a experiências práticas com IA e modelos Gemini. E, para ampliar a base de talentos, o programa Capacita+ Aprenda IA com Google Cloud promete treinar 200 mil pessoas em um único dia, 6 de dezembro, em formato híbrido e gratuito, com universidades e a Alura.
A visão que costura todas essas iniciativas é explícita na narrativa corporativa: “Ser nosso parceiro significa investir em um futuro onde os mais recentes avanços de IA são continuamente integrados nas ferramentas que as equipes já usam, aumentando a produtividade e a tomada de decisões.” Com infraestrutura local mais potente, opções de residência e controle de dados, além de um ecossistema de implementação mais robusto, o Google Cloud sinaliza que a nova fase da IA no Brasil passa a combinar escala, compliance e impacto de negócio.
fonte: Google Blog
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