O futuro da nuvem e da inteligência artificial está sendo moldado por uma das maiores apostas financeiras já vistas no setor de tecnologia. JPMorgan Chase e Mitsubishi UFJ Financial Group estariam liderando um pacote de financiamento de aproximadamente US$ 38 bilhões para a construção de data centers vinculados à Oracle nos estados de Wisconsin e Texas. A iniciativa, conduzida pela Vantage Data Centers, promete não apenas ampliar a infraestrutura da Oracle, mas também sustentar a demanda crescente da OpenAI por capacidade computacional em larga escala.
Segundo a reportagem da Bloomberg, trata-se de uma das maiores operações de dívida já estruturadas para data centers. Outros bancos e fundos de crédito privado também estão comprometidos com um empréstimo de US$ 23 bilhões destinado ao campus no condado de Shackelford, no Texas. Esse movimento consolida uma tendência: a inteligência artificial exige investimentos bilionários em energia, espaço físico e servidores de alta performance.
OpenAI estima que o setor precisará de trilhões de dólares para manter e expandir modelos de linguagem cada vez mais avançados. Em julho, a empresa anunciou que vai alugar 4,5 gigawatts adicionais de capacidade de data center da Oracle. Para dimensionar o impacto, apenas um gigawatt pode abastecer cerca de 750 mil residências.
Apesar da grandiosidade, nem todos os contratos estão fechados. O acordo para o data center em Port Washington, Wisconsin, ainda não foi finalizado. O pacote de dívidas deve ser distribuído futuramente a investidores tradicionais e fundos privados, com preço estimado em 2,5 pontos percentuais acima da taxa de referência dos EUA.
Mathew Mish, chefe de estratégia de crédito do UBS, pondera que o cenário traz riscos relevantes: “Este fenômeno poderia sustentar planos de crescimento significativos para a IA e outras companhias hyperscaler, semeando as bases de um cenário positivo, mas também aumentando os riscos de superaquecimento”.
Enquanto isso, a Oracle segue acelerando. Em agosto, a companhia anunciou planos para investir dezenas de bilhões em novos mega data centers, mesmo enfrentando desafios de energia e materiais. Um dos projetos no Texas, por exemplo, será alimentado por geradores a gás natural em vez de conexão direta à rede elétrica.
O crescimento da Oracle reflete o apetite do mercado por soluções de nuvem e inteligência artificial. No quarto trimestre fiscal de 2025, a receita avançou 11% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 15,9 bilhões. A área de serviços em nuvem cresceu 14%, alcançando US$ 11,7 bilhões. Para 2026, a empresa projeta que sua infraestrutura em nuvem avance 70%, bem acima dos 50% registrados este ano.
Além disso, a Oracle assinou contratos que devem render mais de US$ 30 bilhões em receitas anuais a partir do ano fiscal de 2028. A expansão não se limita aos Estados Unidos: recentemente, a empresa anunciou US$ 1 bilhão para ampliar sua infraestrutura na Holanda, com foco em inteligência artificial, e outros US$ 5 bilhões no Reino Unido para os próximos cinco anos.
Wilfred Scholman, VP e líder da Oracle no país, reforçou a dimensão estratégica desses movimentos: “Este acordo se apoia na ambição do governo holandês de estabelecer uma forte indústria tecnológica, voltada para inovação e benefícios econômicos e sociais”.
O recado é claro: a disputa pela liderança em nuvem e inteligência artificial não é apenas tecnológica, mas também financeira. O sucesso de iniciativas como essa depende da capacidade de sustentar investimentos gigantescos em infraestrutura digital, energia e inovação.
fonte: Cryptopolitan
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