A inteligência artificial deixou de ser tendência para se consolidar como infraestrutura central da nova economia digital. Mesmo assim, muitas empresas continuam presas a modelos de operação concebidos em um contexto anterior à era da IA, alerta o Chief Marketing Officer da IBM. O executivo observa que a resistência em modernizar processos e estruturas cria um risco direto à competitividade. “Muitas empresas ainda operam com estruturas pensadas para um mundo pré-IA”, afirmou.
O peso da estrutura organizacional
A fala do CMO vai além da tecnologia em si. Segundo ele, não adianta adotar ferramentas de inteligência artificial se a arquitetura organizacional não estiver preparada para absorver suas mudanças. Estruturas rígidas, processos decisórios lentos e departamentos isolados dificultam o fluxo de dados e impedem que a IA atue em seu potencial máximo.
Em contrapartida, companhias que repensam suas bases de operação — adotando estruturas mais ágeis, modelos colaborativos e gestão orientada a dados — criam terreno fértil para explorar a IA como alavanca de inovação. O desafio não é apenas técnico, mas também cultural: requer líderes dispostos a revisar hábitos arraigados e estimular equipes a trabalhar em sintonia com a tecnologia.
A transformação como movimento sistêmico
De acordo com o executivo da IBM, a IA não deve ser encarada como projeto pontual, mas como um elemento estruturante do futuro dos negócios. Isso implica integrar algoritmos e modelos preditivos ao coração das operações: da análise financeira à cadeia de suprimentos, do atendimento ao cliente ao desenvolvimento de produtos.
Um exemplo prático é a aplicação de IA na área de supply chain, onde empresas conseguem prever gargalos de produção e ajustar estoques em tempo real, evitando prejuízos e otimizando recursos. Outro caso é o uso em marketing e vendas, com modelos de recomendação que personalizam a jornada do consumidor em escala. Sem um ambiente corporativo preparado, tais iniciativas acabam limitadas a experimentos isolados, sem impacto estratégico.
Cultura de dados e aprendizado contínuo
O CMO reforça que a adaptação vai além da infraestrutura tecnológica: é necessário construir uma cultura de dados. Isso significa capacitar colaboradores para interpretar insights gerados por IA, estimular decisões baseadas em evidências e criar ciclos de aprendizado contínuo dentro da organização.
Outro ponto crítico é a governança. Empresas que já incorporaram a IA em sua estrutura precisaram revisar políticas de segurança, privacidade e ética, considerando que algoritmos impactam diretamente a experiência de clientes e a reputação corporativa. A maturidade nesse campo pode se tornar um diferencial competitivo decisivo.
A urgência da mudança
O alerta da IBM é, em última instância, um chamado à ação. Empresas que permanecerem em estruturas “pré-IA” correm o risco de serem ultrapassadas por concorrentes mais ágeis, capazes de entregar soluções inovadoras em menos tempo e com maior eficiência. “Não se trata apenas de adotar ferramentas, mas de transformar mentalidades”, reforçou o executivo.
A transformação digital não é mais opcional: é um movimento que define quem se manterá relevante no cenário global. A capacidade de integrar IA à estratégia, cultura e operações será o fator que dividirá as organizações que liderarão o mercado daquelas que ficarão à margem da revolução tecnológica em curso.
fonte: Forbes
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