Quando a promessa da IA não entrega: por que a produtividade ainda não reagiu?

Estudo da FGV revela que o uso de Inteligência Artificial nas empresas brasileiras ainda está longe de gerar os impactos esperados. O problema pode não estar na tecnologia, mas em como ela está sendo implementada.

No discurso, a Inteligência Artificial (IA) é revolucionária. Na prática, a revolução está em marcha lenta. Essa é a principal conclusão de um levantamento recente da FGVcia, que avaliou o uso da IA em empresas brasileiras e apontou um resultado surpreendente: embora 45% das grandes organizações declarem utilizar tecnologias de IA, o impacto real na produtividade é mínimo.

“Com tudo que se fala sobre IA, esperávamos uma produtividade muito maior. Não foi o que aconteceu”, afirma Fernando Meirelles, coordenador da pesquisa. A constatação desafia o otimismo exagerado que acompanha a adoção de tecnologias emergentes — e levanta uma pergunta inevitável: onde estamos errando?

Adoção não é transformação

O estudo indica que a maioria das empresas está implementando IA de forma superficial — sem integração profunda aos processos, sem mudança de mentalidade e, principalmente, sem uma estratégia de longo prazo. O resultado? Ferramentas potentes são subutilizadas em tarefas operacionais, enquanto os indicadores de produtividade permanecem estagnados.

Segundo Meirelles, “a produtividade é um resultado da tecnologia quando bem integrada ao modelo de gestão”. A frase resume o ponto central: IA sozinha não transforma nada. Ela precisa estar acompanhada de redesenho de processos, capacitação das equipes e clareza sobre onde se quer chegar.

Sintoma de um problema maior

O baixo impacto da IA não é um caso isolado. É um sintoma de um problema recorrente no ambiente corporativo: a implementação de tecnologia como resposta estética, e não estratégica. Muitos projetos nascem apenas para sinalizar modernidade ao mercado ou aos acionistas — mas, internamente, não têm estrutura para gerar mudança real.

Esse comportamento reforça o “efeito vitrine”: empresas parecem digitais por fora, mas continuam operando com lógica analógica por dentro. O risco é que o descrédito nas tecnologias aumente, não porque elas falharam, mas porque foram mal compreendidas.

O que fazer diferente?

O estudo da FGV não deve ser visto como uma crítica à IA, mas como um alerta à forma como ela vem sendo tratada. A boa notícia é que a tecnologia funciona — desde que aplicada com propósito.

Para reverter esse cenário, líderes precisam:

  1. Mapear claramente os problemas que precisam ser resolvidos antes de buscar soluções.
  2. Capacitar as equipes, não apenas para operar a tecnologia, mas para pensar com ela.
  3. Redesenhar processos, garantindo que a IA esteja a serviço da estratégia e não apenas da automação.
  4. Medir impacto com precisão, usando dados reais para validar (ou ajustar) as iniciativas.

É hora de mudar a pergunta: em vez de “quais tecnologias vamos adotar?”, o ideal seria perguntar “qual resultado queremos alcançar — e qual tecnologia faz sentido para isso?”. A diferença está no caminho escolhido. Um leva à inovação real. O outro, ao desperdício com soluções que parecem modernas, mas não transformam.

fonte: baguete

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