Por Angela Gheller* –
Em meio ao crescente aumento do comércio eletrônico, impulsionado em grande parte pela pandemia e pelas mudanças nos hábitos de consumo, o setor logístico enfrenta desafios significativos. Para se adaptar a essa nova realidade e satisfazer um consumidor cada vez mais exigente, as empresas desse setor tiveram que reagir rapidamente, sem comprometer a produtividade e a competitividade. Assim, elas investiram na expansão de suas estruturas internas e adotaram ferramentas tecnológicas, como os sistemas de gerenciamento de transporte (TMS) e os sistemas de gerenciamento de armazéns (WMS), a fim de atender às demandas latentes.
No entanto, em meio a esse cenário aquecido, empresas de outros setores perceberam uma oportunidade de ampliar sua atuação no mercado, oferecendo não apenas seus produtos ou serviços tradicionais, mas também serviços logísticos. A transformação de empresas embarcadoras, cujo foco principal não é a logística, em operadores logísticos deixou de ser apenas uma tendência e se tornou uma realidade e uma nova dinâmica de mercado.
Um exemplo notável desse movimento é uma das principais produtoras de aço do país, que em 2018 criou uma empresa logística independente, com frota própria, para atender clientes de diversos setores. Outro caso interessante envolve uma rede atacadista distribuidora, que já operava uma plataforma de comércio eletrônico própria e passou a oferecer também serviços logísticos.
Essa mudança de cenário é importante de se observar, uma vez que as prioridades de investimento em tecnologia costumam variar entre embarcadoras e operadores logísticos. De acordo com o Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) de logística, um estudo realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, as embarcadoras tendem a investir em tecnologias para coleta e entrega de mercadorias (50%), gestão de armazenagem (46%) e sistemas de checklist (40%). Por outro lado, os prestadores de serviços logísticos priorizam soluções para monitoramento de frota (66%), gestão de transporte (TMS) (61%) e gestão de custos logísticos (60%).
Essas informações podem direcionar as embarcadoras que desejam atuar como operadores logísticos. Antes de tudo, é essencial realizar uma análise interna detalhada para identificar pontos fortes e fracos e planejar as melhorias necessárias. É fundamental compreender as oportunidades de mercado e determinar os investimentos fundamentais para oferecer um serviço robusto aos parceiros e clientes, sem comprometer a logística do próprio negócio.
O setor logístico desempenha um papel crucial no PIB nacional devido à sua ampla abrangência. A maturidade tecnológica tanto dos operadores logísticos quanto das embarcadoras é fundamental para aumentar a competitividade e a produtividade do setor. Nesse contexto, o mercado, e especialmente o consumidor, se beneficia com a oferta de serviços cada vez melhores e mais eficientes.
*Angela Gheller, diretora de produtos de Logística da TOTVS
Fonte: https://capitaldigital.com.br/