Em um momento, o lema era: cada empresa é uma empresa de tecnologia. Agora, o novo axioma é: toda empresa será também uma instituição financeira. Esse conceito se aplica à Totvs, a gigante brasileira de ERP. “A meta daqui para frente é elevar a proposta de valor da nossa organização”, declarou à DINHEIRO o CEO Dennis Herszkowicz. “Pretendemos ser o conselheiro de confiança das pequenas e médias empresas.”
Com o intuito de servir como esse 'conselheiro confiável' e incrementar a receita de seus clientes, a Totvs começou a expandir seu horizonte além de sua principal área de atuação. Essa expansão foi realizada principalmente através de aquisições, particularmente no setor de fintechs. Esta operação ganhou impulso no último ano, quando a Totvs criou a Dimensa, empresa dedicada a tecnologias B2B para o setor financeiro, em colaboração com a B3 (que detém 37,5% da nova empresa).
Somente este ano já foram realizadas três aquisições através da Dimensa — a InovaMind (especializada em onboarding digital e gestão de riscos), adquirida em janeiro por R$ 23,5 milhões; a Mobile2you (especializada no desenvolvimento de aplicativos para fintechs), por R$ 26,9 milhões no final de janeiro; e a Vadu (fintech voltada para análise de crédito), por R$ 40 milhões em março.
Por parte do Grupo Totvs, os processos de fusão e aquisição continuam fortes este ano. Em abril, através da subsidiária Totvs Tecnologia, adquiriram a Gesplan (de gestão financeira) em uma transação de R$ 40 milhões. Mas o marco mais importante desta trajetória foi a joint venture com o Itaú Unibanco, que resultou na Totvs Techfin. Pode-se dizer que é a confirmação definitiva de que a marca está se posicionando como uma instituição financeira. “Foi uma empreitada totalmente nova para nós”, afirmou Herszkowicz.
Cada parceiro possui 50% da operação. No manifesto de criação da empresa, a missão é clara: “Construir a maior plataforma digital de serviços financeiros para as empresas brasileiras”. Um ambiente pautado pelo uso intensivo de dados focados em clientes corporativos e toda a sua cadeia de stakeholders. “Atualmente, é o nosso maior case de sucesso estratégico”, disse o CEO.
RESULTADOS A empresa surgiu junto com a internet, em 1969, oferecendo serviços de informática e 14 anos depois se tornou a Microsiga Software S.A, mudando o nome para Totvs apenas em 2005. Hoje, é a maior empresa de tecnologia do Brasil e ainda foca seu portfólio em soluções de software de gestão, como o ERP. Um mercado global competitivo de US$ 474,6 bilhões que deverá atingir US$ 1,1 trilhão em 2030, segundo dados da Grand View Research.
A empresa está presente em 41 países. Herszkowicz afirma que são poucas as empresas brasileiras nesse segmento que podem se autodenominar multinacionais. “O negócio de ERP é muito local”, disse. “Mas ser muito forte localmente em algo proporciona uma grande vantagem competitiva: cria uma reputação.” Atualmente, a empresa possui 14 centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), sendo 11 no Brasil.
Essa consistência é evidente nos resultados. Nos últimos quatro anos, de 2018 a 2021, a margem Ebitda (lucros antes de impostos e depreciação) sempre cresceu dois dígitos em relação ao ano anterior. Foi de R$ 347 milhões em 2018 (aumento de 16,4% em relação a 2017), de R$ 470 milhões em 2019 (+20,6%), de R$ 590 milhões em 2020 (+23,0%) e de R$ 782 milhões em 2021 (+24,7%). No último ano, a receita líquida foi de R$ 3,258 bilhões, um aumento de 25,5% em relação a 2020 (R$ 2,596 bilhões). Apenas a divisão Techfin, novo braço estratégico da empresa, dobrou de tamanho em dois anos, de R$ 129,4 milhões para R$ 281,5 milhões (+117,5%).
Nos dois primeiros trimestres deste ano, a curva continua ascendente. As receitas líquidas de janeiro a março somaram R$ 946 milhões (+34% em relação ao mesmo período de 2021) e entre abril e junho outros R$ 966 milhões (+30% em relação ao 2T de 2021). Performance que o CEO resume em um mantra: “Realizar o habitual de forma sempre distinta”.
Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br/